Consumida pela exaustão e pela falta de respostas sobre a doença rara do filho, Patrícia chegou ao limite: num momento de desespero absoluto, tentou pôr fim à própria vida e à do menino de cinco anos.
Diogo, de apenas cinco anos, é prisioneiro de uma doença rara, ainda sem diagnóstico. Não anda, não fala e enfrenta diariamente uma batalha silenciosa.
Os primeiros sinais surgiram cedo. Aos dois meses, Patrícia, a mãe, percebeu que algo não estava bem: Diogo não conseguia equilibrar a cabeça. Na primeira consulta ouviu uma frase que a destruiu. O médico disse que o Diogo seria um vegetal. Desde então, a criança já realizou centenas de exames, sem que qualquer deles apontasse uma resposta.
Apesar da incerteza e do medo, a família luta todos os dias. Patrícia percorre 190 quilómetros diariamente para que o filho possa fazer terapias intensivas, que lhe têm permitido pequenas mas valiosas conquistas: mais força nos braços, mais resistência nas pernas e mais presença no olhar. Recentemente, Diogo passou por uma cirurgia experimental em Espanha para ativar músculos e tentar melhorar a resposta neurológica — uma luz ténue ao fundo do túnel.
Para garantir que o filho tem tudo o que precisa, Patrícia está desempregada e dedica-se inteiramente aos cuidados de Diogo. O pai, Rui, trabalha na Bélgica para conseguir ajudar com as despesas, numa separação forçada pela necessidade. Diogo vê o pai poucas vezes por ano e essa ausência pesa em toda a família. Só as terapias semanais custam cerca de 280 euros, um valor impossível de suportar sem sacrifícios.
Diana, a irmã mais velha, é uma presença fundamental na vida de Diogo. Tem uma relação de enorme carinho com o irmão e gosta de falar com ele, mesmo que ele nunca responda com palavras. Mas também ela precisou de acompanhamento psicológico para lidar com a dureza da realidade.
A dor, o cansaço e a falta de respostas levaram Patrícia ao limite. Num momento de desespero absoluto, sentiu que não tinha forças para continuar e tentou pôr fim à própria vida e à de Diogo. «Bati mesmo no fundo. Estava desesperada. Não tinha capacidade para tomar conta de mim nem dos meus filhos», confessa Patrícia. Foi então que Rui regressou temporariamente a Portugal para ajudá-la a recuperar. Desde esse episódio, Patrícia iniciou um tratamento, passou a ser acompanhada e conseguiu reencontrar algum equilíbrio.
Apesar das limitações, Diogo é uma criança interativa, que gosta de ter os amigos por perto, mas o mundo à sua volta não está preparado para ele. Navegar pela rua é uma dificuldade permanente por falta de passeios adaptados. «Agora vejo que a mobilidade reduzida é muito esquecida», lamenta Patrícia. Ela própria não sabe como será o futuro do filho. «Não faço a mínima ideia de como vai ser na primária», desabafa.
Diogo tem cinco anos e, apesar de não andar nem falar, move uma força interior que contamina todos à sua volta. A sua história é marcada por dor, sim, mas também por coragem, pequeninas vitórias e um amor que resiste ao impossível. Entre viagens intermináveis, terapias, incerteza e esperança, Patrícia e a família continuam a caminhar ao lado dele, mesmo sem saber o que os espera amanhã. Porque, apesar de não haver respostas, há amor — e, por vezes, é isso que mantém tudo de pé.