A notícia chocou o país, que continua a ser surpreendido com mais pormenores do caso.
A investigação ao adjunto da ex-ministra da Justiça, Paulo Abreu dos Santos, continua a revelar novos e perturbadores detalhes. Esta segunda-feira, no programa Dois às 10, foram divulgados dados adicionais sobre a forma como os crimes eram cometidos e sobre o perfil das vítimas.
Segundo informações apuradas pela TVI/CNN Portugal, era a partir do “confortável gabinete” no Ministério da Justiça que Paulo Abreu dos Santos visualizava e guardava os ficheiros de pornografia infantil. O endereço de IP do próprio ministério acabou por ser determinante para a investigação, funcionando como uma das principais provas que levou à sua identificação e detenção.
Entre as vítimas identificadas nos ficheiros encontram-se crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 14 anos. Sabe-se já que pelo menos duas dessas crianças são portuguesas, ambas com cerca de 10 anos. Existem ainda fortes suspeitas de que estas crianças possam ser filhas de amigos próximos do próprio arguido, uma linha de investigação que está agora a ser aprofundada pela Polícia Judiciária.
Paulo Abreu dos Santos foi detido na passada quinta-feira e, no sábado, confessou os crimes perante o juiz. O antigo adjunto da então ministra da Justiça ficou a saber que iria aguardar o desenrolar do processo em prisão preventiva, a medida de coação mais gravosa.
A investigação apurou ainda que, para além de cerca de 500 ficheiros internacionais de acesso e partilha de pornografia infantil, existiam vídeos nos quais o próprio advogado se filmava a abusar sexualmente das crianças. Está indiciado por dois crimes de abuso sexual de menores.
A Polícia Judiciária acredita que o arguido poderá estar ligado a uma rede com ramificações mais vastas, motivo pelo qual quer agora ter acesso ao seu telemóvel. O objetivo é perceber se mantinha contacto com outros pedófilos portugueses e se existiam mais vítimas envolvidas.
Entretanto, após a divulgação do caso pela CNN Portugal, a sociedade de advogados onde Paulo Abreu dos Santos trabalhava emitiu um comunicado. “Tendo sido surpreendidos pelas notícias que reportam o envolvimento do antigo colaborador, Dr. Paulo Abreu Santos, no âmbito de uma investigação criminal de contornos graves, a sociedade manifesta-se chocada e consternada com o conteúdo das mesmas”, escreveu a Ana Bruno & Associados. Ainda assim, o nome do advogado já tinha sido retirado da sociedade antes de o caso se tornar público.
Paulo Abreu dos Santos desempenhou funções como adjunto da ministra Catarina Sarmento e Castro entre 2023 e 2024 e foi também assistente convidado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O caso surgiu no âmbito de uma investigação internacional iniciada nos Estados Unidos da América, centrada em crimes sexuais contra menores cometidos e partilhados através das redes sociais.
A Polícia Judiciária continua agora a trabalhar na identificação das vítimas e no eventual alargamento da investigação a outros suspeitos.