Tragédia dentro de casa deixou Mafalda com marcas para a vida: «Dizia à minha mãe: "Vai buscar uma pistola e mata-me"»

  • Dois às 10

O verão de 2008 deveria ter sido apenas mais um período de férias em família. No entanto, uma fuga de gás transformou aqueles dias num verdadeiro pesadelo. Mafalda Pereira tinha apenas sete anos quando a casa onde a família passava férias explodiu, dando origem a um violento incêndio que deixou vários familiares entre a vida e a morte.

A história foi recordada no programa Dois às 10, da TVI, onde Mafalda, a tia Fátima e o primo Tozé abriram o coração sobre as marcas físicas e emocionais que carregam até hoje.

Tudo aconteceu quando a família, que vivia na Suíça, veio a Portugal para estrear uma casa nova. No momento da explosão, Mafalda e o irmão dormiam. "O meu irmão é que me salvou a vida porque eu estava em choque", recordou.

A jovem lembra-se de atravessar as chamas e de ver o pai a arder. Apesar da gravidade da situação, garante que, naquele instante, não sentia dor.

Mafalda, o pai, o irmão, a tia Fátima e o primo Tozé sofreram queimaduras graves. Mafalda, Fátima e Tozé estiveram em coma induzido e os médicos chegaram a admitir que as crianças dificilmente sobreviveriam.

O período de internamento foi especialmente duro para Mafalda, que permaneceu cerca de um ano no hospital. "Tinha tantas dores que preferia morrer", confessou.

O sofrimento era tão intenso que chegou a fazer um pedido desesperado à mãe. "Dizia à minha mãe: 'Vai buscar uma pistola e mata-me'", revelou.

Além das cicatrizes visíveis no rosto, nas mãos e nos pés, Mafalda ficou também com sequelas internas, incluindo cicatrizes no nariz e na garganta que ainda hoje lhe dificultam a respiração.

Até aos 18 anos, Mafalda foi submetida a sucessivos transplantes de pele, utilizando tecido retirado de outras partes do corpo para reconstruir a face. Na escola, enfrentou também episódios de bullying devido às marcas deixadas pelo incêndio.

Apesar das dificuldades, encontrou uma nova missão de vida. Decidiu estudar Enfermagem, inspirada pelo longo percurso hospitalar que viveu desde criança.

Durante 14 anos, a família tentou obter justiça nos tribunais, mas acabou por perder o processo. Segundo foi revelado, nunca recebeu qualquer indemnização ou apoio do seguro e ninguém foi responsabilizado pelo acidente que mudou para sempre as suas vidas.

Sentiu a emoção desta história? Imagine vivê-la sem interrupções.
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