A pergunta de Cláudio Ramos marcou o tom de uma conversa intensa com Hélder no programa Dois às 10, onde o ex-concorrente falou sem filtros sobre as suas origens e as marcas que o passado deixou.
“Faz-te confusão que o país inteiro saiba de onde vens?”. Foi com esta pergunta direta de Cláudio Ramos que se iniciou um dos momentos mais marcantes da conversa com Hélder no programa Dois às 10.
À pergunta de Cláudio Ramos, respondeu sem hesitar: “Faz, porque há portas que se fecham ainda hoje. Basta ver as notícias e certas coisas que se fazem na política”. Ainda assim, reconhece que essa postura é também uma forma de defesa: “Admito que sim, eu tento proteger-me a mim e à imagem que tentei construir”.
Perante a questão, o ex-concorrente do Secret Story 10 acabou por falar abertamente sobre as suas origens e o impacto que tiveram ao longo da sua vida. Hélder revelou que é de etnia cigana por parte do pai, mas admitiu que evita abordar esse tema, inclusive dentro da casa. “Evito dizê-lo”, confessou, explicando que essa decisão está ligada às experiências difíceis que viveu desde cedo.
O concorrente recordou a história de amor dos pais, marcada por forte oposição familiar. “A família do meu pai não aceitou e foi visto de forma negativa”, contou, descrevendo uma relação intensa entre dois jovens que chegaram a fugir para Lisboa para viverem juntos. Acabaram por regressar já com a notícia da gravidez.
Pouco depois do seu nascimento, o pai afastou-se. “Fiquei com a minha mãe e a minha avó”, disse Hélder, revelando que só voltou a ter contacto com o progenitor aos 19 anos. Atualmente, mantém uma relação cordial.
As memórias de infância são marcadas pelo preconceito. “Sempre fui o filho do cigano”, recordou, revelando episódios difíceis: “Eu ia da escola para casa e os meus colegas não podiam ir comigo porque os pais diziam que era filho do cigano”.
Hoje, encara o passado com mais distanciamento, mas admite que as marcas permanecem. “Não me orgulho nem tenho vergonha, mas foi durante muito tempo uma pedrinha no sapato”, afirmou.
Um testemunho sincero e emotivo que trouxe para o centro do debate um tema sensível e ainda muito presente na sociedade.