«Abdicam da vida delas»: Carla comove-se ao falar das filhas que cuidam da irmã com Síndrome de Down

  • Dois às 10
  • 2 dez, 14:49

Carla, mãe solo de 41 anos, vive numa corrida contra o tempo para garantir o futuro de Francisca, a filha de seis anos que nasceu com Síndrome de Down e acumula vários problemas de saúde. Entre cirurgias, terapias intensivas e viagens constantes do Algarve ao Porto, esta mãe luta diariamente para que a menina possa ter a autonomia que o mundo tantas vezes lhe nega.

Aos 41 anos e mãe de três meninas, Carla vive hoje numa rotina exaustiva, emocionalmente pesada e financeiramente insustentável. Francisca, a filha mais nova, nasceu com Síndrome de Down, problemas cardíacos e um conjunto de desafios que têm exigido cuidados permanentes desde o primeiro dia.

Um diagnóstico inesperado que mudou tudo

Durante a gravidez, todos os exames indicavam que estava “tudo certinho”. Nada fazia prever que Francisca nasceria com uma deficiência. Carla só a viu dois dias depois do parto — e, desde então, a menina tem sido sinónimo de superação. Aos 16 meses foi operada ao coração de peito aberto, e mais tarde voltou ao bloco operatório para corrigir problemas nos ouvidos.

Hoje, aos seis anos, ainda está a aprender a falar e comunica maioritariamente através de gestos. Até há pouco tempo não sabia mastigar nem beber água, e recentemente desenvolveu uma hérnia acima do estômago, que poderá exigir nova intervenção médica. Há ainda a suspeita de que Francisca possa vir a ser autista ou ter défice de atenção com hiperatividade.

A luta de uma mãe que não pode parar

Para garantir que Francisca recebe a melhor reabilitação possível, Carla viaja do Algarve ao Porto de três em três meses, onde permanece um mês inteiro com a filha em terapias intensivas. Só esse mês custa cerca de cinco mil euros — valor impossível de suportar sem ajuda.

Enquanto isso, as filhas mais velhas, Vera e Gabriela, ficam sozinhas em casa. É com maturidade e amor que apoiam a mãe nesta batalha. A mais velha chegou mesmo a assumir parte das despesas familiares, numa casa onde “não se vive, sobrevive”: "Abdicam da vida delas para ajudar", contou Carla emocionada.

Carla está desempregada porque não consegue conciliar horários com as necessidades de Francisca. A menina não pode ficar depois das 15h na escola, já que o ATL é apenas para pais que trabalham. “Ninguém me vai querer assim”, desabafa.

Uma família inteira a remar para o mesmo lado

Vera e Gabriela, adolescentes, assumem-se como o maior apoio da mãe. Sem drama, mas com verdade, partilham que a ausência de Carla e da irmã mais nova custa — mas sabem que fazem parte da missão. “Ela é luz”, diz Gabriela com orgulho. “A Francisca é muito mais do que a deficiência”, reforça Vera.

Carla teme o futuro e pensa todos os dias no que acontecerá “no dia em que já não estiver cá”. Por isso luta — para que Francisca seja o mais independente possível, para que tenha uma vida digna e possibilidades reais.

Entre fé, resiliência e o amor que une esta família, persiste a esperança de que Francisca possa, um dia, viver livre das limitações que a marcam hoje.

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