Se ainda utiliza tábuas de madeira ou plástico para preparar os seus alimentos, talvez seja hora de repensar esse hábito. Especialistas alertam que apenas um material garante a higiene, durabilidade e segurança necessárias na cozinha — e a maioria das pessoas ainda o desconhece.
A tábua de cortar é um dos utensílios mais frequentes na cozinha, mas também um dos que mais facilmente pode pôr em causa a segurança alimentar. De acordo com Bruno Brunetti, especialista em microbiologia de alimentos, o material escolhido é decisivo para evitar contaminações e, contrariamente ao que muitos acreditam, a madeira não é a alternativa mais segura.
Apesar de transmitir uma ideia de naturalidade, a madeira é porosa, absorve líquidos e retém resíduos, dificultando a limpeza e permitindo que microrganismos como Salmonella, Listeria ou E. coli se mantenham no interior da sua estrutura durante dias ou semanas. A este problema junta-se a tendência da madeira para favorecer a formação de biofilmes — colónias bacterianas protegidas por uma camada resistente que permanecem mesmo após a higienização —, além da retenção de humidade, que cria condições ideais para o crescimento microbiano. Assim, utilizar a mesma tábua para carne crua e, de seguida, legumes ou saladas, representa um risco significativo de contaminação cruzada em casa.
O especialista recorda que esta preocupação ultrapassa a esfera científica. No Brasil, a ANVISA, entidade equivalente à ASAE em Portugal, desaconselha o uso de materiais porosos em superfícies que entram em contacto com alimentos. O Codex Alimentarius, conjunto de normas internacionais de segurança alimentar usado como referência global, segue o mesmo princípio. Por essa razão, as tábuas de madeira deixaram de ser usadas em ambientes profissionais — algo que, segundo o especialista, deveria igualmente aplicar-se às cozinhas domésticas.
A orientação é inequívoca: a opção mais segura é o vidro (como mostrado no vídeo abaixo) e o polietileno de alta densidade, um plástico firme, não poroso e altamente resistente. Este material não absorve resíduos, não retém humidade e suporta muito melhor os processos de limpeza e desinfeção. Já o plástico comum das tábuas de uso doméstico também não é recomendado.
Para aumentar a segurança, é aconselhável recorrer a tábuas distintas para diferentes tipos de alimentos, adotando, por exemplo, o código de cores utilizado na restauração, e assegurar uma higienização completa após cada uso. Para o especialista, pequenas alterações na rotina da cozinha podem reduzir de forma significativa o risco de doenças transmitidas por alimentos — e escolher a tábua adequada é um dos passos mais simples e eficazes.
Veja os testes neste vídeo: