A vida de José Pires mudou num instante. Depois de uma infeção súbita o deixar tetraplégico, a relação com a mulher não resistiu aos desafios. A separação foi um dos momentos mais difíceis do seu percurso, mas hoje José reencontra forças na autonomia, no amor das filhas e numa nova paixão.
José Pires levava uma vida comum: casado, com duas filhas e envolvido nos seus projetos profissionais. Mas tudo mudou subitamente, aos 32 anos. Aquilo que começou por parecer uma simples infeção urinária revelou-se o início de um pesadelo: em apenas dois dias, ficou tetraplégico: “Houve um travão na minha vida”, contou José, no Dois às 10, onde partilhou o seu testemunho de superação.
Começou com cansaço extremo nas pernas e dores musculares. Foi às urgências, onde lhe diagnosticaram uma infeção. No dia seguinte, a situação agravou-se: deixou de conseguir mover-se e perdeu a capacidade de respirar sozinho. Estava perante uma mielite — uma infeção grave na medula causada por uma bactéria.
José esteve quase dois anos internado e viveu momentos profundamente marcantes. Chegou a comunicar com a família através de um quadro com letras. Um dos momentos mais difíceis foi não conseguir felicitar a mãe no aniversário.
Durante o internamento, a filha mais velha pensava que o pai a tinha abandonado. A mais nova cresceu quase dois anos sem a presença do pai em casa.
Já em casa, os desafios continuaram. A relação com a mulher deteriorou-se e acabaram por se divorciar. José confessou que ambos não souberam lidar com a nova realidade: "Não nos ajudámos um ao outro".
Hoje, José é autónomo, mesmo usando cadeira de rodas. Descobriu uma nova paixão no andebol adaptado e encontrou na superação uma nova forma de viver com dignidade e força.