Após ser colhido por um touro e ficar tetraplégico, Nuno deu liberdade à namorada para o deixar. A resposta emocionou-o

  • Dois às 10

Nuno Carvalho Mata tinha apenas 26 anos quando um acidente durante uma pega mudou a sua vida para sempre. Forcado desde os 15 anos, o jovem natural da Moita foi colhido por um touro no Campo Pequeno, a 30 de agosto de 2012, e ficou tetraplégico.

Naquele momento, Nuno percebeu imediatamente que não conseguia mexer-se. “Pediram para me levantar e não consegui. Gritei logo: ‘Estou tetraplégico!’”, recorda.

Depois de ser operado, tentou tirar o lençol que tinha por cima, mas o corpo não respondeu. “Cai o peso do mundo em cima de nós”, descreve, lembrando o choque de perceber que teria de aprender a viver de uma forma completamente diferente.

E foi no hospital, perante aquela nova realidade, que Nuno teve uma das conversas mais difíceis da sua vida. Quando Carina, a namorada, foi visitá-lo, o então jovem de 26 anos tentou afastá-la. “Carina, acabou tudo na nossa relação. Acabei de dar cabo da nossa vida. Não quero que fiques comigo”, disse-lhe Nuno.

Mas a resposta de Carina foi imediata e mudou tudo. “Estás maluco? Eu amo-te e vou ficar contigo.”

Passaram-se 14 anos desde aquele dia e Carina continua ao lado de Nuno. A relação, que já durava há cinco anos quando aconteceu o acidente, chegou agora aos 19 anos.

Nuno passou dois meses no Hospital do Barreiro e, depois, esteve meses em Alcoitão, onde teve de aprender a viver com a tetraplegia. Pelo caminho, teve sempre o apoio da companheira, que nunca desistiu da relação.

Hoje, Nuno é também pai de Frederico Maria, de cinco anos, com quem mantém uma relação muito cúmplice. O filho ajuda o pai no que consegue e tornou-se uma das suas maiores forças.

Ao longo destes 14 anos, Nuno conseguiu transformar a forma como olha para o acidente. “Eu não sou o acidente… sou como reagi”, afirma.

O antigo forcado continua ligado à superação e partilha a sua experiência através de palestras motivacionais. Criou também a marca de roupa “Warrior”, inspirada precisamente na sua história.

Apesar de admitir que gostava de voltar a andar, Nuno não apagaria os anos que viveu desde o acidente. “Gostava de voltar a andar mas não apagava estes 14 anos de tetraplegia”, confessa.

E, 14 anos depois, há uma certeza que permanece: Carina cumpriu a promessa que fez naquele hospital. Ficou.

Sentiu a emoção desta história? Imagine vivê-la sem interrupções.
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