A história e coragem de Maria João deixou Cristina Ferreira e Cláudio Ramos impressionados no «Dois às 10».
A história de Maria João Silva é marcada por dor, coragem… e, sobretudo, verdade. Aos 50 anos, assume-se como uma mulher realizada, depois de um longo percurso de quase uma década até concluir o processo de transição.
Nascida como António, numa aldeia de Guimarães, Maria João cresceu a sentir que algo não estava certo. Desde cedo, percebeu que não se identificava com o corpo masculino, vivendo durante anos em silêncio e sofrimento. "Até aos 35 anos, foi uma vida de teatro".
Durante décadas, escondeu quem realmente era. Criou uma “personagem” para se encaixar numa realidade que não sentia como sua. Só mais tarde encontrou força para revelar a verdade às pessoas mais próximas. “Aquele irmão que conheces nunca existiu. Quem existe sou eu, uma mulher”, disse ao irmão, num momento carregado de emoção.
O caminho não foi fácil. Aos 35 anos, chegou mesmo a tentar pôr termo à vida, incapaz de continuar a viver num corpo com o qual não se identificava. Ainda assim, decidiu lutar — por si, pela sua identidade e pela possibilidade de ser feliz.
O processo de transição durou cerca de nove anos e envolveu acompanhamento psicológico, tratamentos hormonais e cirurgia. Pelo caminho, enfrentou incompreensão, mas também encontrou apoio, nomeadamente de amigos e de Rosa Silva, que sempre a acompanhou.
Hoje, Maria João assume-se como uma mulher de fé e diz sentir, finalmente, paz consigo mesma. Apesar das perdas que enfrentou — incluindo a morte dos pais e do irmão — mantém a esperança no futuro. “Sou uma mulher feliz”, afirma.