Aos 45 anos, a vida de João mudou para sempre. O que começou como um dia normal terminou com um enfarte, três paragens cardiorrespiratórias e seis dias em coma. Hoje, vive com o coração de outra pessoa, após um transplante que lhe deu uma segunda oportunidade.
Na véspera do enfarte, João tinha estado numa consulta de rotina e nada fazia prever o que iria acontecer. Nessa noite, acordou com fortes dores no ombro e no braço, dificuldade em respirar e os braços dormentes. No hospital, entrou em coma e, quando acordou, estava ligado a um coração externo provisório, conhecido como “Berlin Heart”.
Foi o filho, então com 18 anos, quem tomou a difícil decisão de aceitar este procedimento que permitiu ganhar tempo até surgir um coração compatível. «Foi o meu filho que decidiu fazer tudo para me salvar», recorda João.
Depois de um mês e meio internado em isolamento, a notícia chegou: havia um coração disponível. Em fevereiro de 2013, João foi submetido ao transplante no Hospital de Santa Cruz. «Acordar com um coração novo é uma segunda oportunidade de viver», confessa.
Hoje, João olha para a vida com humildade e consciência: «Houve uma família que perdeu um ente querido»
O processo não foi fácil: no início, caminhar 50 metros parecia uma maratona. Mas João agarrou-se à vida e aprendeu a viver com as novas limitações. Motorista de transportes públicos, foi obrigado a reformar-se por invalidez aos 47 anos.
Apesar da gratidão, a data do transplante deixou de ser celebrada em 2024, quando o pai de João morreu — precisamente a 3 de janeiro, o mesmo dia em que, 11 anos antes, o filho tinha recebido o novo coração. «Ele morreu nos meus braços», partilha, emocionado.