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«Nunca me de chamou mãe»: A dor de uma mãe que cuidou da filha com paralisia cerebral até aos 58 anos

No «Dois às 10», Quitéria diz que aos 80 anos é rija e forte, um dia ri e outro dia chora, é o destino da vida. Fala da infância que diz ter sido pobre. Viveu com o padrasto, a mãe e os 6 irmãos. Fez a terceira classe, mas faltava muito para cuidar dos irmãos. Saiu da escola sem saber escrever o nome. Aprendeu mais tarde aos 6 anos com amigas. Diz que conheceu o marido na casa onde trabalhava e que namorou com ele à moda antiga. Era um namoro bonito com beijos roubados. “Eram poucos mas bons, agora não prestam para nada.” Refere que que teve a filha Maria João que nasceu com paralisia cerebral. Cuidou dela até aos 58 anos. “Nunca me chamou mãe nunca comeu pela mão dela, foi sempre uma infelicidade que tivemos as duas”. “Fiz-lhe tudo e cá fiquei a viver sem ela”. Hoje ocupa-se a fazer a renda, a costurar, vai visitar os mais velhos ao lar. Diz ser feliz a viver a vida que leva.

  • 12 nov, 10:06
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