Isabel da Paz

Lúcia Moniz

Isabel é uma mulher algo misteriosa. Não é de falar muito, não tem família, não tem amigos, é pouco efusiva nas suas emoções e muito observadora. Como isabel entra na história? Através de Leonor, sua colega e amiga do liceu. Terminado o ensino secundário, quis a vida que cada uma seguisse o seu rumo e as duas acabaram por perder o contacto. Isabel fez um Curso Técnico de Secretariado. Trabalhou em várias empresas como secretária. A sua peregrinação de emprego em emprego tem uma explicação: quando os colegas de trabalho começavam a criar laços, ela preferia ir-se embora a expor a sua vida. E porquê? Porque a sua vida nunca foi um conto de fadas. Filha única de uma família humilde, perdeu o pai muito cedo nas cheias de 1983 que afectaram fortemente os concelhos de Lisboa, Loures e Cascais. A sua casa foi destruída pelas águas, deixando Isabel e a mãe desalojadas. Não foi um início de vida fácil. Aos 19 anos, Isabel perdeu também a mãe, vítima de cancro. Ela ficou sozinha no Mundo. A partir daí, começou a sonhar com o dia que poderia formar a própria família. E a ideia de que só deixaria de ser sozinha quando fosse mãe tornou-se quase uma obsessão. Porém, Isabel nunca foi dada a namoros. E como não há duas sem três, a terceira grande desgraça na sua vida acontece: depois de desmaiar no trabalho ao ter uma cólica muito forte durante a menstruação, Isabel é aconselhada pelo médico a fazer uma série de exames que acabam por revelar que nunca poderá engravidar, já que é portadora de aloimunidade (uma condição que faz com que o útero rejeite a formação do feto, provocando abortos repetitivos). Isabel, claro, ficou arrasada e não voltou a conseguir ver sentido algum na sua vida, pelo menos a médio prazo. A notícia aterradora, as saudades dos pais e o seu comportamento solitário acabaram por conduzir Isabel a uma depressão. Para tentar melhorar o quadro, começou a fazer Yoga. Foi quando conheceu a professora Letícia e se tornou próxima dela. Muito mais próxima do que poderia imaginar… Isabel sentia-se segura com Letícia. Daí a abrir-se com ela foi só uma questão de tempo. Qual fada madrinha, Letícia oferece-se prontamente como barriga de aluguer para receber os óvulos de Isabel e gerar o filho da aluna e agora também amiga. Isabel sentiu-se a pessoa mais abençoada do mundo! O que ela não imaginava é que foi envolvida num plano sórdido de Letícia e Mário (cuja existência e identidade ela desconhecia completamente). Isabel já tinha tudo planeado: ir a um banco de esperma, fecundar os seus óvulos e aguardar ansiosamente até que Letícia parisse o seu bebé. Mal sabia ela que Letícia fecundou os óvulos dela com o esperma de Vicente para vender a criança e depois desaparecer com Mário e os bolsos cheios. A esperada filha de Isabel acabou por nascer sem que ela nunca a visse, já que acabou roubada. A vigarista da “amiga” Letícia também desapareceu e os anos seguintes da vida de Isabel foram marcados por sofrimento, mas sobretudo por um desejo de procura que nunca deu em nada. Até que… volta a cruzar-se com a sua amiga de adolescência, Leonor. Como? Através do Facebook. Afinal, quem nunca reencontrou um amigo ou familiar “perdido” na famosa rede social? No reatar desta amizade, e incentivada por Leonor, Isabel vai tentar reencontrar Letícia e saber o que aconteceu ao seu bebé. E é assim que o caminho de Isabel se cruza com o de Lúcia e Pipo. Mal sabe ela o que a espera.