Joana Veloso Magalhães

Teresa Macedo

Sou uma mulher feliz, apaixonada pelo meu marido, o Óscar, trabalho como personal trainer num ginásio… A vida corre-me bem. Seria ótimo que uma pessoa pudesse ser feliz para sempre. Já percebeu, não é? Vou parar ao fundo do poço. Eu e o Óscar estamos a separar-nos. Não, não há terceiros, simplesmente, ele seguiu numa direção e eu noutra. Acontece. O que não devia acontecer é continuarmos debaixo do mesmo teto. Nenhum de nós tem condições financeiras para ir cada um à sua vida. Enquanto a casa não for vendida, só nos resta continuar nesta paz podre. Não é que passemos a vida a discutir, até porque nos contemos muito por causa do Tiago, o nosso filho. Agora sou empresária. Antes da minha avó morrer, os meus avós decidiram distribuir a herança. Com a minha parte do dinheiro e um pequeno empréstimo, abri um estúdio de Air Yoga. Como a minha vida profissional passou a ocupar a maior parte do meu dia, tudo mudou. Uma mulher não pode dedicar-se a uma carreira, não pode por momento nenhum deixar o marido e o filho de lado. Cai o Carmo e a Trindade. Porra! Mas isso não vai mudar nunca? Como se isso não bastasse, a conflituosa da minha irmã, a Lúcia, que andou desaparecida durante anos, inferniza-me a cada segundo da minha existência. Porquê? Como ninguém sabia se ela estava viva, morta ou tinha sido abduzida, ela não foi contemplada na distribuição de bens. O mantra favorito dela é “metade do teu negócio é meu”. Ah, ah, ah. Deixa-me rir. Essa minha irmã é uma caixinha de surpresas. Sim, porque já deu para perceber que ela está a esconder alguma coisa. E a única maneira dela me deixar em paz é fazê-la preocupar-se com o que realmente interessa: os problemas dela. A nossa relação é meio esquizo. Hoje somos grandes amigas, amanhã as piores inimigas. Se eu a vou ajudar ou prejudicar, isso depende do que eu sentir quando descobrir o que ela esconde.