Marília Montenegro

Lucélia Santos

Eu sou da geração em que uma mulher, de boas famílias como a minha, acreditava que só seria feliz casando com um bom partido, tendo filhos, constituindo família… Eu consegui isso tudo e, no entanto, sou profundamente infeliz. O homem que me prometeu amar para o resto da vida só ama a si próprio. A minha filha, que era o meu maior bem, está morta. Foi preciso enterrá-la para saber quem ela realmente era. A minha neta, que eu nem sabia que tinha, talvez eu nunca conheça. Financeiramente, eu não posso me queixar. Sou muito rica, sim, o que eu quero comprar, eu compro. Mas o que eu preciso não está à venda: amor! Se você está pensando que eu fico chorando pelos cantos com ar de Maria das Dores, que todas as mazelas do mundo desabam sobre mim, engana-se. Sou uma mulher forte. Confesso que estou cansada, mas nesse momento da minha vida eu não posso permitir que o desânimo acabe comigo. Eu tenho certeza que ainda vou ser feliz com a minha neta. A vida está me dando essa oportunidade e eu não vou desperdiçar. Não sei se o Gilberto vai fazer parte deste novo capítulo… Eu que já não suportava nem a sombra dele, de repente me permito voltar a ter ilusões. E como na minha vida nunca ninguém foi transparente comigo, o nosso motorista não vai ser exceção. Sabe quem ele é? O Pipo. Não é que a Lúcia deu um jeito de nós o contratarmos? Ele vigiará todos os nossos passos. E vai fazer de tudo para que nós nunca encontremos a sua filha Ritinha… Quer dizer, a minha neta! O mal não pode vencer o bem. Assim espero.