Nuno Fonseca

Nuno Pardal

O meu irmão deve achar que é o Steven Spielberg, que as ideias dele são sempre um grande sucesso. Estes conflitos com o Filipe incomodam-me. Nós só nos temos um ao outro. Sempre fomos amigos e agora passamos o tempo a discutir. É a papelaria, é a Sara… Mas porra, o gajo chega aqui e passa-me a perna. Veja lá se não tenho razão. A Sara teve uma grande paixão aí por um tipo. Ela evita falar sobre o que aconteceu. Eu só vou saber que esse gajo era o Pipo, o marido da Lúcia, mais tarde. Até lá, só sei que ela teve um caso com um homem casado, o pai do Edu, que, reza a lenda, acabou por desaparecer com outra. Assim que vim morar com a Sara descobri que aquela pirosice “ela é a mulher da minha vida” afinal faz sentido. Eu fiquei ali, pacientemente à espera do meu momento. Não queria avançar sem ter a certeza que ela também sentia o mesmo por mim. Andámos ali num jogo de sedução até que… aconteceu. Só que o que para mim era uma relação a sério, para ela era uma coisa descomprometida. A Sara, com aquele espírito desprendido dela, não queria a responsabilidade e as obrigações de uma relação clássica, com as satisfações, ciúmes, cedências… Eu acreditava que, com o tempo, o nosso envolvimento, inevitavelmente, ia ser como eu queria: total. Mas com a chegada do meu irmão tudo se desmoronou. Ele apaixona-se por ela e ela por ele. E pronto, está dado o tiro de partida para a loucura. A Sara não tem coragem de me pôr na rua, eu também não vou sair. O meu irmão, irritado com isto tudo, sai de casa da Sara. E para onde? Para o apartamento da frente, do senhor Brito, só para provocar. Agora veja a situação: o namorado dela é ele, mas quem vive com ela sou eu. Como é que isto pode acabar bem?