Do romance ao ensaio, passando pela novela gráfica. O que há de novo para ler sobre o 25 de Abril - TVI

Do romance ao ensaio, passando pela novela gráfica. O que há de novo para ler sobre o 25 de Abril

  • Agência Lusa
  • DCT
  • 20 abr, 08:31
Livro (Freepik)

Há também algumas reedições

Nos 50 anos do 25 de Abril, as editoras reforçaram os seus catálogos com obras alusivas à revolução, lançando no mercado romances, ensaios, livros de História, fotografia e até novelas gráficas dedicados ao período que pôs fim à ditadura.

Algumas reedições, mas principalmente inéditos, enchem os escaparates das livrarias com imagens de cravos, dos militares das Forças Armadas, do povo na rua, mas não só - fotos de figuras públicas da época e a frase “25 de Abril” avisam logo o leitor ao que vai.

A Tinta-da-China, que tem sempre este como um tema forte do catálogo, vai publicar “A Cidade Democrática: Habitação e Participação Política no pós-25 de Abril”, da autoria de Ana Drago, um livro que aborda o período revolucionário e a questão urbana na afirmação da democracia portuguesa.

Esta obra foca o problema habitacional deixado pelo Estado Novo e as ocupações de casas por moradores pobres nas semanas que se seguiram ao 25 de Abril de 1974.

A ser publicado também, está “Padre Felicidade, o Oposicionista Praticante”, de Ana R. Gomes, que acompanha o trajeto contestatário de José da Felicidade Alves, um dos protagonistas da oposição católica ao Estado Novo.

Ainda neste mês, a editora publicou também “Tarrfal”, do João Pina, em que o fotógrafo publica as únicas imagens do interior do “campo da morte lenta”, bem como o livro que fixa em texto o espetáculo de Tiago Rodrigues “Catarina e a Beleza de Matar Fscistas”.

Nos últimos meses, foram editados na Tinta-da-China “Os Últimos do Estado Novo”, de João Pedro Castanheira, “Ensaios de Abril”, de Fernando Rosas, “25 de Abril de 1974, Quinta-Feira”, com fotografias de Alfredo Cunha.

A editora tem estado ainda a publicar “O 25 de Abril Visto de Fora”, uma coleção feita em parceria com a Comissão 50 anos 25 de Abril, que contempla a edição de um total de dez obras alusivas à Revolução e à consolidação da democracia em Portugal até agora inéditas em português, a maioria de autores estrangeiros.

Até ao momento foram publicados cinco volumes, o último dos quais é “Vozes da Revolução”, com entrevistas e estudos de Paul Christopher Manuel.

A Leya apostou na reedição de obras relacionadas com o 25 de Abril publicadas na Dom Quixote: “Praça da Canção” e “O Canto das Armas”, de Manuel Alegre, reunidos num só livro, bem como os romances “Os Memoráveis” e “O Dia dos Prodígios”, de Lídia Jorge, ambos igualmente num só volume.

As apostas da Temas e Debates, do grupo Bertrand Círculo, vão para “Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975”, de Irene Flunser Pimentel, e “Emílio Rui Vilar – Memórias de Dois Regimes”, de António Araújo, Maria Inácia Rezola e Pedro Magalhães.

O primeiro consiste numa análise pessoal da autora a episódios ocorridos entre os anos finais da ditadura e o 25 de novembro de 1975, com destaque para o que aconteceu à ex-polícia política e para a ação dos Estados Unidos, França e Alemanha nesse período, relativamente a Portugal.

O segundo centra-se na vida do gestor Emílio Rui Vilar, partindo de entrevistas e com o relato na primeira pessoa, percorrendo o início da contestação ao Estado Novo no meio universitário, a Guerra Colonial, a criação da SEDES - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, o fracasso da “primavera marcelista” e os primeiros anos do novo regime democrático saído do 25 de Abril.

A Presença reedita “História de Portugal Volume I – Das Origens às Revoluções Liberais”, de A. H. De Oliveira Marques, numa versão atualizada e aumentada por João Alves Dias, e o romance “Pedro e Paula”, de Helder Macedo, centrado na história de dois irmãos que, no Portugal da segunda metade do século xx, representam a metáfora de um país em profunda mudança.

A mesma editora publica “Portugal – Saído das Sombras”, de Neill Lochery, que parte da Revolução dos Cravos para refletir sobre Portugal nas últimas décadas do século XX e inícios do século XXI, e ainda “História Contemporânea de Portugal – Do 25 de Abril à atualidade”, em dois volumes, de António José Telo, que cobre o período entre 1974 e o despontar do novo século.

O destaque do Grupo Almedina vai para um livro que sai exatamente no dia 25 de Abril, intitulada “50 Anos Depois – As Políticas Sociais em Portugal”, de vários autores, uma obra “de afirmação de confiança na democracia” – nas palavras da editora -, em que os autores refletem sobre o percurso do Estado democrático, através dos seus olhares e perspetivas.

Com contributos de Jorge Simões (coordenador e autor), Francisco George, Gustavo Cardoso, Jorge Reis Novais, Sara Vera Jardim e Vasco Franco, o livro aborda os seguintes temas: “direitos sociais na jurisprudência do Tribunal Constitucional”, “50 anos de comunicação e mudança social”, “cidades: altos e baixos em 50 anos de mudança(s)”, “ ambiente e saúde pública”, “a União Europeia da saúde: convergência ou cooperação?” e “o percurso das políticas de saúde em Portugal”.

Este livro terá uma apresentação, no dia 29, na Gulbenkian, pela ex-ministra da presidência Mariana Vieira da Silva, e com a presença de todos os autores.

Além deste, a Almedina publica também “Breve História do 25 de Abril”, de Yves Leonard, “Mário Soares e o 25 de Abril: O essencial”, de David Castaño, “Entre Cravos e Cardos. Portugal aos olhos de um estrangeiro que se tornou português”, de Thomas Fischer, e “A Caminho do 25 de Abril. Uma organização clandestina de oficiais da Armada”, de Luísa Tiago de Oliveira.

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