Aeroporto no Montijo falha cinco critérios de viabilidade. Santarém chumba na distância (quatro vezes acima da média europeia) - TVI

Aeroporto no Montijo falha cinco critérios de viabilidade. Santarém chumba na distância (quatro vezes acima da média europeia)

  • Nuno Guedes
  • 29 jun 2023, 22:56

Relatório da Comissão Técnica Independente permite fazer diagnóstico às três opções que evitaram a primeira fase de triagem. Alcochete segue na frente

Montijo e Santarém, duas das localizações ainda na corrida para receber o futuro aeroporto de Lisboa, falham critérios de viabilidade usados pela Comissão Técnica Independente (CTI) nomeada pelo Governo, algo visível no relatório que fez a primeira triagem que reduziu de 17 para 9 as opções em cima da mesa com base na ideia do que seria necessário para ter um “aeroporto ideal”.

O resultado desta triagem foi anunciado no final de abril, mas só agora a CTI revelou o documento completo com essa primeira avaliação, apesar do documento ter data de abril. 

Alcochete passa em todos os critérios de viabilidade

O relatório consultado pela TVI/CNN Portugal explica que as opções indicadas pela Resolução do Conselho de Ministros de outubro de 2022 (negociadas com o maior partido da oposição) "não foram submetidas à triagem com base nos critérios de viabilidade técnico-científicos" pois essas opções têm de “ser obrigatoriamente avaliadas" na fase final que agora decorre. 

Contudo, apesar de não fazer essa triagem para Alcochete, Montijo e Santarém (indicados na tal Resolução do Conselho de Ministros), o relatório de 94 páginas apresenta os resultados obtidos para essas mesmas localizações, sendo possível perceber onde falham. 

Alcochete não falha nenhum dos dez critérios, mas o mesmo não acontece com Santarém (que falha um) e em especial com o Montijo que falha cinco.  

As falhas do Montijo

Se tivesse sido sujeita à triagem feita às opções que não foram indicadas pelo Governo, o Montijo não cumpriria dois dos três critérios considerados pela CTI como "de máxima relevância". Em causa a falta de uma área de expansão mínima futura equivalente a mil hectares e a falta da ferrovia que não existe nem está prevista.

O relatório “considera imprescindível a ligação por infraestrutura ferroviária, tal como aliás a rodoviária, como critério de viabilidade".

A opção pelo Montijo (que mantém a operação no velho aeroporto da Portela) falha ainda no critério da população afectada pelo ruído, nos riscos naturais e é de longe a solução que afecta mais hectares de áreas naturais ou corredores migratórios de aves. 

A longa distância de Santarém

Santarém, uma opção recente, só falha num dos dez critérios de viabilidade técnico-científicos, mas a falha é grande e acontece num dos três critérios que os técnicos consideram de “máxima relevância”: a distância para o centro de Lisboa. 

O relatório refere que a CTI analisou 87 aeroportos e considerou “todas as capitais europeias e ainda as cidades com mais de meio milhão de habitantes”. 

No final, o documento indica que o aeroporto mais distante detectado estava a 60 quilómetros do centro da respectiva cidade. 

Os dados recolhidos pela mesma CTI colocam Santarém a 92 quilómetros, bem mais que os 70 quilómetros de Vendas Novas (que falhou neste critério) e mais de quatro vezes acima da média europeia calculada pelos técnicos independentes. 

O presidente da Câmara Municipal de Santarém contesta as conclusões e diz que o relatório não teve em conta alguns aeroportos europeus secundários mais distantes que os referidos 60 quilómetros, mas prefere sublinhar que mais do que os quilómetros os técnicos deveriam olhar para o tempo que se demora a chegar ao aeroporto. 

Ricardo Gonçalves garante que o aeroporto em Santarém ficaria a cerca de 30 minutos de Lisboa (de comboio), menos que outros aeroportos de grandes cidades europeias.

Montijo e Santarém mantêm-se na corrida

Apesar das falhas em critérios de viabilidade tão relevantes, fonte da Comissão Técnica Independente adianta à TVI/CNN Portugal que Santarém e Montijo têm hipóteses na corrida para o novo aeroporto.

A CTI explica que "os dez critérios usados na primeira fase foram de viabilidade e não de avaliação” que serão agora mais aprofundados. 

“A fase que se segue vai ser diferente e seguir um quadro de avaliação estratégica com fatores críticos de decisão e mais critérios", avança a mesma fonte, pelo que Santarém ou Montijo até podem chegar ao fim na frente desta espécie de ‘corrida’ entre localizações para o futuro aeroporto de Lisboa.

No caso de Santarém, por exemplo, a avaliação final da CTI vai mesmo olhar não apenas para a distância, mas também para o tempo que os passageiros vão demorar de Lisboa até ao aeroporto.

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