Foi agredido pela mulher durante mais de 20 anos. Agora ela foi condenada a quatro anos de prisão - TVI

Foi agredido pela mulher durante mais de 20 anos. Agora ela foi condenada a quatro anos de prisão

Sheree Spencer (Humberside Police)

Richard Spencer só conseguiu pedir ajuda quando um amigo polícia apareceu à porta. Juíza considerou este como o "pior caso de controlo e comportamento coercivo que alguma vez viu"

Richard e Sheree Spencer casaram-se em 2009, na Tailândia, pouco antes do Natal, depois de nove anos de relação. O casal, que se conheceu numa discoteca em Inglaterra, estava apaixonado, mas os sinais de que a relação seria conturbada já tinham começado a aparecer. 

Em entrevista ao Daily Mail, Richard Spencer revela que meses depois de ter começado a namorar com Sheree, esta visitou-o no seu apartamento em Ipswich. Depois de alguns copos a mais, começaram as agressões. Segundo recorda, as discussões começavam "sempre que ela bebia".

A partir daí, a violência nunca parou. Ao longo de mais de 20 anos, Sheree agrediu Richard e nem o facto de terem três filhas fez com que as agressões abrandassem. 

O relato que Richard faz da relação é chocante. Na entrevista, o especialista em tecnologia revela que a mulher lhe mordia, lhe batia com garrafas - Richard chegou a ir parar ao hospital para levar pontos na cabeça - , lhe atirava com o que estivesse à mão, o ameaçava com facas, chegou a estragar-lhe pelo menos cinco computadores e, enquanto o agredia, gritava para que os vizinhos pensassem que era ele o agressor. 

No comunicado da polícia, pode ler-se que "durante uma das agressões, Richard Spencer foi cuspido e agarrado pela garganta", noutra ocasião "foi mordido várias vezes" e numa agressão "com uma garrafa de vinho, causou-lhe lesões permanentes na orelha e cotovelo".

A violência era, garante, provocada pelo álcool, sendo que Sheree chegava a beber três garrafas de vinho por dia e, quando estas acabavam, batia-lhe para ir buscar mais.

Apesar da violência, Richard diz que "sentia que merecia ser castigado". "Perdi a minha independência e o meu livre-arbítrio e apenas aceitei que a minha vida seria assim. Agora para o fim, ela controlava tudo, desde em que quarto eu podia dormir a que sanita podia usar. Já não era eu".

Ao longo da relação, Sheree manteve o padrão típico dos agressores. Depois de bater no marido, deixava-lhe notas a pedir desculpas pelo que tinha acontecido e dizia-lhe que o amava. Richard desculpava-a e acreditava que as coisas iriam mudar. Assim como desculpou o caso que Sheree teve com um colega de trabalho, ainda antes do casamento, culpabilizando-se por trabalhar de mais e não lhe dar atenção suficiente.

O passo seguinte acabaria por ser o casamento, mas nem aí Richard se sentiu totalmente feliz. "Sheree embebedou-se e zangou-se com as pessoas que lhe vieram arranjar o cabelo e disse-lhes para saírem. (...) Acreditem ou não, sentia que o casamento era o caminho natural. Quando voltámos, quis pensar nisso como um novo começo. Mas nunca regressámos realmente ao bom caminho".

Sheree dizia que o problema era não terem filhos e que quando isso acontecesse tudo ficaria bem. Por isso, obrigava o marido a ter relações sexuais duas vezes ao dia, fazendo-o recorrer a fármacos, e, quando este não correspondia, criticava-o e humilhava-o.

Depois de serem pais, as agressões continuaram e Sheree passou a usar a filha, nascida em 2015, para atingir o marido. "Começou a ameaçar-me com a nossa filha. Dizia que ia esmagar a cara dela contra o espelho e cortá-la, depois ligar à polícia e dizer que tinha sido eu, para que eu não a pudesse ver".

Foi aí, para se proteger, que começou a gravar (em áudio e em vídeo) e a fotografar o que acontecia dentro de casa. Até que um dia, Tony, um velho amigo de Richard que trabalhou como polícia militar, recebeu uma chamada de Sheree - que trabalhava no Ministério da Justiça - a dizer que estava a ser agredida.

Quando chegou a casa do casal, Tony percebeu o que se estava a passar e viu Richard mostrar-lhe dezenas de vídeos e imagens das agressões de que tinha sido alvo.

"O Tony disse-me: 'Tenho de fazer o que penso ser melhor para ti como amigo e para as crianças. Mesmo que me odeies agora, espero que no futuro penses que é pela razão certa'. Eu disse-lhe: 'Fazes o que tens de fazer'", recorda Richard, revelando que o amigo alertou as autoridades.

À polícia, Richard entregou 43 fotografias, 36 vídeos e nove áudios. Sheree acabou detida, em junho de 2021, e proibida de se aproximar do marido. Quando foi chamada para prestar declarações, a agressora tentou negar as acusações à polícia, mas acabou por não ser bem sucedida.

Esta quarta-feira, dia 8 de março, Sheree foi condenada a quatro anos de prisão - depois de se ter declarado culpada de controlo coercivo e das agressões a Richard - e a uma ordem de restrição indefinida.

Em comunicado, a polícia de Humberside revela que a mulher de 45 anos foi condenada "em relação a comportamentos coercivos e de controlo entre janeiro de 2016 e junho de 2021, e três crimes de agressão que ocasionaram danos corporais efectivos entre janeiro e abril de 2020", naquilo que a juíza Kate Rayfield considerou o "pior caso de controlo e comportamento coercivo que alguma vez viu". 

A agente responsável pelo caso enalteceu a "força, coragem e paciência" de Richard Spencer durante toda a investigação criminal e disse esperar que "esta pena de prisão lhe dê, aos seus amigos e família, algum encerramento para que possam avançar e olhar para um futuro mais feliz".

"Sheree Spencer é uma mulher abusiva e violenta que submeteu o marido a anos de abuso. Os crimes foram cometidos durante um período de tempo prolongado e foram regulares, com vários a serem realizados num único dia. Espero que este resultado demonstre a qualquer pessoa afetada por agressões e violência doméstica que, não importa quem seja, ouviremos, apoiaremos e tomaremos medidas positivas para fazer justiça", afirmou Adele Jenkinson.

Apesar da força, Richard confessa que precisou de procurar ajuda para recuperar o seu bem-estar físico e emocional e que vai precisar de vários anos para se recuperar mentalmente. No entanto, diz, o mais importante por agora, é dar às filhas calma e estabilidade.

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