É o "coração do acolhimento" da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e vai ser readaptado para "eventos futuros". É assim que Filipe Anacoreta Correia, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, justifica os 4,2 milhões de euros para a construção do altar-palco onde o Papa vai celebrar a missa.

Em conferência de imprensa no Parque Tejo, palco do evento que irá decorrer em agosto, o responsável da autarquia esclarece que a estrutura, com 5.000 metros quadrados, foi desenhada para acolher "cerca de duas mil pessoas", entre bispos, concelebrantes, coro, orquestra, convidados e equipa técnica. Além disso, terá cerca de nove metros de altura para que possa ser visto pelo "máximo número de pessoas" possível.

"[O altar-palco] está pensado para ser o coração do acolhimento de um evento que vai acolher cerca de um 1,5 milhões de pessoas ao mesmo tempo", salienta aos jornalistas.

O projeto do altar-palco onde o Papa vai celebrar a missa para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ)

Em relação ao aproveitamento futuro desta estrutura, Filipe Anacoreta Correia adianta que foi feito um trabalho para "retirar e redimensionar a cobertura do palco depois do evento", de forma a que possa estar em condições de ser reutilizado em eventos futuros.

A autarquia já recebeu, aliás, a "manifestação de vontade de promotores de eventos a dizer 'nós gostávamos de fazer aí eventos', inclusive grandes eventos internacionais", acrescenta o responsável, garantindo que a Câmara teve a "preocupação de aproveitar e potenciar o investimento para o futuro".

Questionado sobre que tipo de eventos internacionais se tratava, Filipe Anacoreta Correia não quis antecipar, ressalvando que tal "seria prematuro". "O palco vai ser muito redimensionado, deixará de estar numa posição com a preocupação de visibilidade de um evento com um milhão e meio de pessoas e passará a ter a mesma estrutura, a mesma cobertura, mas já em baixo, para outro tipo de eventos", insiste.

“A grande parcela de todo o investimento que é feito não se esgota, vai além do evento e fica no futuro da cidade”, salienta.

Autarquia opta por "pensar no retorno" do investimento no evento

Filipe Anacoreta Correia reforça que o espaço onde o altar-palco vai ser construído era um aterro e que a consolidação do espaço, a par com a garantia da segurança dos participantes, acarreta "muitos custos".

Questionado pelos jornalistas sobre a forma como os fiéis poderão reagir ao valor em causa, o vice-presidente da autarquia respondeu: "Como responsável político em Lisboa, julgo que ficou claro que estes valores ficam na cidade (…) com o potencial que isso representa. (…) Julgo também que é importante pensar além de uma visão assente na despesa e pensar também no retorno que isso pode trazer."

O responsável foi ainda questionado sobre se a igreja tinha conhecimento dos valores da construção do palco, ao que respondeu que a autarquia tem "trabalhado bem" com a Igreja e que "estes projetos assentam no diálogo. "No entanto, a responsabilidade é nossa. A Câmara Municipal de Lisboa conduziu o processo com rigor, escrutínio e transparência”, assumiu.

"Para a dimensão de Lisboa, receber um evento desta dimensão é um grande desafio", frisa o responsável, garantindo que a capital vai aproveitar esta "oportunidade" de dar "notoriedade e visibilidade" a Portugal, ao mesmo tempo que vai ter "o cuidado de ser escrutinável".

Esta terça-feira, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa já tinha adiantado aos jornalistas que a construção do altar-palco para JMJ será realizada conforme as especificações da Igreja.

“As especificações daquele palco foram definidas em reuniões que tivemos com a Jornada Mundial da Juventude, com a Igreja e com a Santa Sé [Vaticano]. Nós estamos na Câmara a executar essas especificações para um palco de 1,5 milhões de pessoas”, salientou, à margem de uma visita ao Pavilhão Municipal Manuel Castel Branco, que vai funcionar como estrutura adaptada para acolher as pessoas em Situação Sem-Abrigo perante o tempo frio que se regista.

“Aquilo que eu pedi aos engenheiros e arquitetos é que, desde início, essa infraestrutura pudesse ficar para o futuro. Nós podíamos ter adjudicado diretamente a um construtor, mas eu não quis isso. Nós consultámos variadíssimos promotores esse tipo de obra. Consultámos preços que eram o dobro desse preço e fomos reduzindo o preço até encontrar aquele que fazia mais barato… isto foi feito com total transparência”, acrescentou.

Beatriz Céu Madalena Lourenço