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Milhares esperados em Copacabana para manifestação convocada por Bolsonaro

As famosas camisolas ‘canarinhas’ verdes e amarelas e as bandeiras brasileiras, marca do ‘bolsonarismo’ durante a campanha presidencial de 2022, deverão voltar a ser a imagem mais vista naquela zona do Rio de Janeiro a partir das 14h em Lisboa

Milhares de pessoas são esperadas este domingo no Rio de Janeiro para uma manifestação convocada pelo ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, impulsionadas pelas recentes críticas de suposta censura do Supremo e às investigações à tentativa de golpe de Estado.

“No momento em que o mundo todo toma conhecimento do quanto está ameaçada a nossa liberdade de expressão e de quanto estamos perto de uma ditadura, é que eu faço um apelo a você, um convite”, disse o ex-presidente num vídeo divulgado nas redes sociais para convocar os seus apoiantes, numa tentativa de pressionar as investigações em curso contra o próprio.

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As famosas camisolas ‘canarinhas’ verdes e amarelas e as bandeiras brasileiras, que foram usadas pelo ‘bolsonarismo’ durante a campanha presidencial de 2022, deverão voltar a ser a imagem mais vista a partir das 10:00 (14:00 em Lisboa) na orla de Copacabana.

De acordo com a imprensa local, mais de 20 deputados e senadores brasileiros arrecadaram cerca de 25 mil euros de forma a financiar a logística da manifestação, que contará com a presença de Bolsonaro, da sua mulher, Michelle, dos seus filhos parlamentares, governadores, entre os quais o governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o pastor evangélico Silas Malafaia, para além de dezenas de deputados e senadores.

Dois trios elétricos (camiões de caixa aberta utilizados no Carnaval) acomodarão os convidados ‘vip’ que de lá farão os discursos que dizem ser a favor da verdadeira democracia, da liberdade de expressão, contra a censura e contra as investigações à tentativa de golpe de Estado a 08 de janeiro de 2023, quando milhares de radicais invadiram as sedes dos três poderes em Brasília na tentativa de destituir Lula da Silva da presidência.

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Em declarações à Lusa, deputado federal José Medeiros, uma das figuras mais proeminentes do ‘bolsonarismo’ no câmara baixa, afirmou que a missão é “assegurar direitos civis assegurados na constituição brasileira”.

José Medeiros deixou ainda duras críticas ao juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o ‘inimigo numero um’ da direita radical brasileira, acusando-o de estar a censurar muitos brasileiros através de “construções abstratas”.

Esta será uma repetição da manifestação a 25 de fevereiro em São Paulo, mas que agora ganhou novo ímpeto depois do bilionário Elon Musk, dono do X, ter entrada em cena e lançado repetidas críticas ao facto de redes sociais de apoiantes de Bolsonaro terem sido banidas pelo incentivo às manifestações que resultaram na tentativa de golpe de Estado e por terem espalhado informações, infundadas, sobre as urnas eletrónicas usadas nas eleições presidenciais e por uma suposta interferência do Tribunal Superior Eleitoral.

“De Moraes definitivamente interferiu nas eleições do Brasil”, escreveu Elon Musk nas redes sociais na quarta-feira.

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Nas presidenciais de 2022, Lula da Silva venceu Bolsonaro, que se recusou a reconhecer a derrota, o que levou os seus seguidores a montarem acampamentos em frente a bases militares para protestar contra o resultado das presidenciais e para exigirem uma intervenção militar.

Oito dias após a posse de Lula da Silva, milhares de ‘bolsonaristas’ saíram do acampamento em frente ao quartel-general do Exército em Brasília para atacar as sedes dos três poderes na tentativa de forçar um golpe contra o Governo recém-instalado.

Nos últimos meses, a polícia brasileira, o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal avançaram em investigações e punição aos executores desses atos. Cerca de 1.232 pessoas foram presas e acusadas, das quais 116 já foram condenadas a penas de até 17 anos de prisão.

As autoridades brasileiras ainda não chegaram a uma conclusão sobre a participação ou não do ex-presidente Bolsonaro na instigação desses atos nem sobre o papel dos financiadores, de funcionários públicos, incluindo militares, e de outras autoridades suspeitas de omissão ou de facilitação.

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