Os Anjos reiteram que o vídeo da atuação no Grande Prémio de Portugal de MotoGP de 2022 por parte da humorista Joana Marques prejudicou-os. Em entrevista à TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), Nelson e Sérgio Rosado garantem, no entanto, que nunca se sentiram ofendidos por “qualquer tipo de piada” e que não condicionaram a liberdade de expressão de ninguém.
“Nós ficámos prejudicados por um vídeo que foi editado. Isso aí foi factual. Aliás, na sentença, naquilo que me comunicaram, fica lá plasmado”, começou por dizer Nelson Rosado a José Alberto Carvalho. A dupla afirma perentoriamente que está “do lado certo da História” e que lutou “por aquilo que é justo”. “Lutámos pela verdade, lutámos pelo princípio da dignidade humana”, reforçou Nelson Rosado.
Os cantores disseram que desde cedo tentaram contactar Joana Marques para “resolver” a questão, mas que esta se mostrou indisponível. “Foi impossível falar com ela, ela não quis falar connosco para lhe tentar explicar exatamente o que é que estava a acontecer. Esse vídeo provocou danos, a nós e a uma equipa de 28 pessoas.”
Os Anjos defendem ainda que ficou provado em tribunal que “não desafinaram nem se enganaram na letra” durante a interpretação do hino nacional e que o prejuízo veio somente do vídeo editado pela humorista - e referem que são pessoas com “muito sentido de humor”.
“Nós participámos em dezenas e dezenas de sketches em todos os canais. Nesta casa, na RTP, na SIC. Nós somos liberdade de expressão”, argumentam. “O que aconteceu aqui é que houve, quanto a nós, uma falta de sensibilidade em relação àquilo que são as nossas responsabilidades. Isto é um caso, pura e simplesmente, de responsabilidade civil. Aquilo que nos dizem é que, efetivamente, ou a sentença nos diz, é que não há limites para o humor. Eu também acho que não há limites para o humor, mas sou responsável por aquilo que digo ou faço e foi isso que foi o cerne deste processo”.
Sobre a indemnização pedida, de mais de um milhão de euros, os Anjos explicaram assim: “Nós não acordámos um dia e lembrámo-nos de pedir um milhão e qualquer coisa mil euros. Isso foi definido e foi encontrado com base nos prejuízos efetivos que foram, inclusivamente, apresentados em tribunal. Existem essas provas, documentais e testemunhais. Concluiu-se que foi por causa de um vídeo editado e nunca por causa da piada. Eu e o Sérgio representamos 9% desse valor. O resto é reclamado por duas empresas que sofreram danos concretos, com o cancelamento de concertos, patrocínios.”
A dupla abre também a possibilidade de recorrer da decisão do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa. “Tem de ser analisado entre nós, a nossa família, as nossas equipas, as outras duas empresas que também são autoras do processo, porque saíram lesadas com o cancelamento de contratos de trabalho, com o cancelamento de patrocínios. (…) Se sim, estaremos a exercer um direito que nos assiste”.
A entrevista terminou com os Anjos a revelarem que já voltaram a interpretar o hino nacional após o incidente em 2022 e a reiterar que nada correu mal naquela atuação no Algarve. “A coisa foi bem feita.”
Joana Marques foi absolvida esta sexta-feira da ação interposta pelos Anjos. O caso foi dado como "improcedente" na sua totalidade, absolvendo assim Joana Marques do processo apresentado pelos Anjos, que terão de pagar as custas do tribunal - que devem ser de mais de 20 mil euros.