Sérgio Rosado sofreu uma crise de acne, Nélson Rosado teve um derrame sanguíneo e “não houve qualquer desafinação” por parte dos Anjos na atuação ao vivo do Hino Nacional no MotoGP. Estes são alguns dos factos que o tribunal deu como provados no julgamento de Joana Marques sobre o caso dos Anjos.
Na sentença, a juíza do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa deu como provado que, “na atuação ao vivo” dos Anjos no MotoGP em Portimão, em 2022, “não houve qualquer desafinação, tendo o cantor Nelson Rosado segurado a melodia do princípio ao fim, enquanto o cantor Sérgio Rosado segura a harmonia.”
“Todas as harmonias encaixam perfeitamente na sequência harmónica do Hino Nacional. Em momento algum, o Hino Nacional foi adulterado melódica ou ritmicamente” pela dupla, refere-se na sentença.
Todavia, "aquando da transmissão televisiva, por rádio e por meios digitais" ocorreram "erros técnicos imputáveis à empresa DORNA", responsável pela captação do áudio e vídeo e consequente transmissão. Como consequência desses erros técnicos, a transmissão da atuação dos Anjos "não foi fiel à respetiva atuação ao vivo", conclui o tribunal.
Joana Marques publicou depois o vídeo da atuação nas suas redes sociais, "com alterações, tendo sido objeto de uma montagem". Em relação ao áudio e imagem, a comediante "reproduziu a atuação tal como a mesma foi publicamente transmitida, mas com curtos cortes nas partes onde os autores cantam 'Levantai hoje de novo, o esplendor de Portugal' e 'Que há-de guiar-te à vitória' com a intenção de tornar o vídeo mais curto", de modo a "introduzir as imagens dos jurados do programa Ídolos", pode ler-se na sentença.
"Na sequência da polémica", os irmãos Rosado "viram defraudado aquele que era o planeamento estratégico/financeiro na gestão das suas carreiras", com contratos rescindidos e concertos cancelados por decisão dos promotores, que "tiveram receio de arriscar na contratação da banda", conclui o tribunal.
Desde então, prossegue a sentença, Sérgio e Nelson Rosado "vivem num permanente estado de ansiedade, stress, mau-estar físico e psicológico e com preocupação sobre o seu futuro", "o que lhes tem causado insónias e muitas noites sem dormir".
O tribunal deu como provado que Sérgio Rosado "iniciou uma crise de acne na face, que se prolongou por vários meses", como "resultado dos mensagens e comentários recebidos, bem como dos comentários negativos alusivos à questão da interpretação do Hino Nacional (...), em publicações de terceiros a propósito de concertos da banda que se vieram a realizar pelos meses seguintes".
Já Nélson Rosado sofreu “um derrame sanguíneo no seu olho direito” como consequência da tensão nervosa “nos dias seguintes ao episódio”, “tendo esta situação levado ao cancelamento da sua presença em alguns eventos sociais, como por exemplo, a visita a duas instituições de Solidariedade Social”.
A juíza conclui ainda que foram os Anjos que "voluntariamente mediatizaram" o processo em causa e que "tal mediatização deslocou novamente as atenções dos utilizadores digitais para a visualização da publicação" de Joana Marques, "bem como para todas as outras as outras publicações relacionadas com a atuação" no MotoGP.
"Vários utilizadores digitais que não tinham visualizado, nem sequer tinham conhecimento do sucedido na atuação do MotoGP (...), tiveram conhecimento e visualizaram a referida atuação a partir do dia 31 de julho de 2024, em consequência da mediatização por parte dos autores da presente ação", ou seja, dos próprios irmãos Rosado.
Na sentença, o tribunal sublinha que, "nas várias notícias que se seguiram à atuação" dos Anjos no MotoGP em Portimão, "o vídeo utilizado para descrever o sucedido consiste no vídeo original da transmissão da atuação e não o vídeo publicado" nas redes sociais de Joana Marques.