Morreu António Lobo Antunes, confirmou a CNN Portugal junto de fonte da editora Dom Quixote. O escritor de 83 anos morreu esta quinta-feira.
Vencedor, entre outros, do Prémio Camões em 2007 e do Prémio Europeu de Literatura em 2001, Lobo Antunes é um dos maiores autores da literatura portuguesa.
Nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em psiquiatria. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Exerceu atividade clínica durante a guerra colonial em Angola, e, posteriormente, em Lisboa, no Hospital Miguel Bombarda.
Em 1979 publicou os seus primeiros livros, "Memória de Elefante" e "Os Cus de Judas", seguindo-se, em 1980, "Conhecimento do Inferno".
Seguiram-se várias obras importantes, como "Fado Alexandrino", "Auto dos Danados", "As Naus", "Manual dos Inquisidores", "O Esplendor de Portugal" ou "Exortação aos Crocodilos".
Em 2018, a Bibliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da sua obra, sendo o segundo escritor português, depois de Fernando Pessoa, e um dos raros escritores vivos a integrar a coleção.
A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de “Commandeur” da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.
Foi Prémio Camões em 2007.
Ministra da Cultura lamenta morte de um escritor maior
A ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, lamentou a morte de António Lobo Antunes, considerando-o um escritor maior e intérprete sensível, que deixa um legado inesquecível.
“É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas”, disse a ministra da Cultura numa mensagem divulgada na rede social X.
Na opinião de Margarida Balseiro Lopes, António Lobo Antunes deixa “um legado brilhante e inesquecível”.
É com profundo pesar que lamentamos a morte de António Lobo Antunes, escritor maior de Portugal, intérprete sensível e incomparável da condição humana, um dos nossos autores mais reconhecidos das últimas décadas. Deixa-nos um legado brilhante e inesquecível.
— Margarida B Lopes (@margaridalopes) March 5, 2026
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, lamentou a morte do escritor, classificando-o como “enorme embaixador da língua portuguesa” numa mensagem oficial na rede social X.
“Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo. Uma lucidez distante que não é desdém mas desapego. Um enorme embaixador da língua portuguesa”, escreveu.
O MNE @PauloRangel_pt lamenta profundamente a morte de António Lobo Antunes, vulto maior da literatura portuguesa. Como poucos revelou as vísceras da alma e as sinopses do corpo. Uma lucidez distante que não é desdém mas desapego. Um enorme embaixador da língua portuguesa.
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) March 5, 2026
Também Luís Montenegro prestou "muito sentida homenagem" à "figura maior da cultura portuguesa" através de uma publicação no X.
Presto muito sentida homenagem a Antonio Lobo Antunes - figura maior da cultura portuguesa. O seu legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português e por isso continuará a inquietar-nos e a inspirar-nos.
Em meu nome pessoal e em nome do Governo, expresso as…
— Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) March 5, 2026
Já o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, assinalou que a morte do escritor constitui “uma perda irreparável para a literatura e para a cultura” portuguesas.
“A morte de Antonio Lobo Antunes constitui uma perda irreparável para a literatura e para a cultura portuguesa e enche-nos a todos de tristeza. Portugal perde uma das sua referências, num momento em que elas tanto são precisas”, afirmou José Luís Carneiro.
A morte de Antonio Lobo Antunes constitui uma perda irreparável para a Literatura e para a Cultura portuguesa e enche-nos a todos de tristeza. Portugal perde uma das sua referências, num momento em que eles tanto são precisas.
Ler a sua Obra e ensiná-la às gerações futuras é um…
— José Luís Carneiro (@jl_carneiro) March 5, 2026
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) disse ter sido um privilégio viver no tempo de António Lobo Antunes considerando que o escritor faz parte da rara aristocracia da literatura mundial.
“Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior interprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país”, salientou Carlos Moedas numa mensagem na sua página na rede social Facebook.
Dom Quixote compromete-se a trabalhar para promover obra
A editora Dom Quixote lamentou a morte do escritor António Lobo Antunes, aos 83 anos, e reafirmou o seu compromisso com a divulgação e promoção de uma obra “cuja importância ultrapassou fronteiras”.
“Foi com profunda tristeza, e ainda a recuperar do choque, que recebemos a notícia, esta manhã, da morte de António Lobo Antunes, nome maior da literatura portuguesa, autor de romances que ficarão para sempre na memória dos seus leitores e admiradores”, pode ler-se numa mensagem publicada nas redes sociais da editora de sempre do escritor.
A editora compromete-se “a continuar a trabalhar e a promover a sua obra, cuja importância ultrapassou fronteiras” e “despede-se assim do grande escritor português, o verdadeiro escritor, que dedicou toda a sua vida à literatura, prestando-lhe a devida e merecida homenagem e deixando sentidas condolências à sua família, aos seus amigos e aos seus leitores”.