AO MINUTO | Sócrates, o grande julgamento: estamos dentro da sala, siga aqui
Sócrates quer Costa no tribunal para provar que foi ele que o apresentou a Manuel Pinho
À porta do Campus de Justiça, José Sócrates sublinhou que convocou António Costa para ser testemunha no processo Marquês para que o tribunal tenha conhecimento de que foi o atual presidente do Conselho Europeu a apresentá-lo a Manuel Pinho, condenado no ano passado por crimes de corrupção, após ser acusado de ser um “agente infiltrado” do BES no Governo.
“Foi ele que me apresentou a Manuel Pinho”, afirmou.
O ex-primeiro-ministro garantiu já se ter sentido “magoado” pelo distanciamento do PS e notou que Costa tem estado “calado” sobre este assunto há vários anos.
Sócrates criticou ainda a “parcialidade” da juíza neste processo e garante que os juízes estão a manter “um embuste”. “No fundo, tudo isto tem o objetivo de me humilhar.”
José Sócrates presta declarações na próxima terça-feira
Tendo todos os arguidos sido identificados, a próxima sessão de julgamento do processo Marquês, que acontece na terça-feira, começará com a prestação de declarações de José Sócrates.
Sócrates provoca juíza. "Mais alguma advertência?"
O tribunal procede agora à identificação de José Sócrates e dos restantes arguidos. O primeiro-ministro aproxima-se do microfone, enquanto a juíza confere advertências a todos os arguidos sobre os seus direitos, nomeadamente de falarem ou não, e sobre a obrigatoriedade de dizerem a verdade.
Quando toma a palavra Sócrates provoca novamente a juíza Susana Seca. "Mais alguma advertência, senhora juíza", afirma em alusão a quando não lhe permitiu tomar a palavra no início da sessão. "Não sabia que tomar a palavra merecia uma advertência".
Em suspiros profundos diz que o seu "nome completo, como a juíza teve oportunidade de dizer, é José Sócrates". O ex-primeiro-ministro volta também a implicar quando questionado sobre a sua data de nascimento. "Sou forçado a dizer?", questiona antes de confirmar que tem 67 anos e reside atualmente na Ericeira.
No final, perguntou à juíza se havia "mais alguma advertência".
Defesa de Sofia Fava entrega requerimento para evitar que ex-namorada de Sócrates vá a julgamento
Filipe Batista, advogado de Sofia Fava, garante que o Ministério Público "já foi desmentido duas vezes". E que a própria decisão da Relação prova isso mesmo, porque, sendo a ex-namorada de José Sócrates acusada de branquear capitais através da Quinta das Margaridas, que o "MP diz não lhe pertencer".
"No próprio acórdão, é salientado que o tribunal da Relação acredita que a quinta é mesmo dela". Pelo que a defesa de Sofia Fava vai entregar um requerimento no sentido de Sofia Fava não seja sujeite a julgamento. "Resta Sofia Fava vir provar que, ao fim de 25 anos de não ter vida familiar de Sócrates, é uma pessoa que tem outros projetos de vida e não pode ter, porque tudo tem de ser criminalizado".
"Ninguém me convence que dentro do PS não havia um conhecimento mínimo daquilo que José Sócrates fazia": Manuela Moura Guedes regressou à TVI
Manuela Moura Guedes liderou a equipa jornalística que mais investigou José Sócrates. Esteve esta quinta-feira no TVI Jornal, no dia em que arrancou o julgamento do ex-primeiro-ministro
Granadeiro: MP tem um "desconhecimento do mercado e da forma como se gerem as empresas"
A defesa de Henrique Granadeiro, que é levada a cabo pela advogada Dirce Rente, também se foca no bloqueio da OPA da Sonae à PT, em que o antigo administrador da companhia é acusado de ter influenciado a decisão para favorecer os interesses de Ricardo Salgado e do BES.
"O projeto não avançou, porque o projeto não era meritório e os acionistas assim não o decidiram". "O projeto visava que a SONAE se tornasse no maior player das redes fixas, com uma quota acima dos 65%".
"Falhou porque o preço não era suficiente, mas também porque a PT apresentou aos acionistas um projeto melhor". Nomeadamente lançando um pacote de remunerações no valor de 5,3 milhões de euros caso bloqueassem a operação.
"A tese acusatória assenta num manifesto desconhecimento do mercado e da forma como são geridas as empresas".
Outro tema sublinhado pela defesa de Henrique Granadeiro é o facto de o antigo administrador ter votado contra a venda das participações da PT na Vivo, para depois investir na brasileira Oi. "O BES votou a favor da venda das participações da Vivo, Henrique Granadeiro votou contra. Faz pouco sentido para alguém que está acusado de estar na dependência de Ricardo Salgado".
Henrique Granadeiro, termina a advogada, "subiu a pulso, com mérito e nunca se deixaria corromper por pretensas relações de amizade".
Zeinal Bava: "Não aconteceu aqui uma osmose funcional por absorção"
É a vez da defesa de Zeinal Bava, o ex-presidente do Conselho Executivo da PT, de realizar as suas exposições iniciais. o advogado José António Barreiros diz que Bava, acusado de agir em prol de Ricardo Salgado, para impedir a OPA da Sonae à PT - um dos grandes vetores deste processo - não praticou nada de ilícito. "Se a OPA foi derrotada, tal decorreu pela lógica do mercado".
O GES, destaca, "encontrava-se em graves dificuldades financeiras" e necessitava de bloquear este negócio, acrescentando que também o Estado, através da sua Golden Share, entendeu que não se devia avançar para essa alienação.
"Não há alinhamento convergente entre Zeinal Bava e o Banco Espírito Santo". "O poder político tinha o poder legítimo para bloquear negócio".
Depois de esse negócio ter caído por terra, a PT avançou com investimentos na brasileira Oi e com a venda da Vivo, segundo a defesa de Zeinal Bava, para "não perder o mercado" da língua portuguesa. "Dir-se-á correu mal". "Sim, mas não para beneficiar esta ou outra empresa".
Além disso, sublinha o advogado José António Barreiros, Zeinal Bava era um responsável da PT comunicações e não da PT SGPS, o ramo financeiro da companhia de comunicações. "Tudo isto se passou na PT SGPS". "E não aconteceu aqui uma osmose funcional por absorção".
Advogado de Salgado trouxe estagiário a assistir ao julgamento para mostrar que "estamos a arrasar o processo penal"
Francisco Proença de Carvalho, advogado de Ricardo Salgado, salienta que o tribunal "tem uma tarefa muito difícil pela frente", e que ser "arguido num processo destes há 11 anos é muito difícil". "Aqui já não se fará justiça". Os arguidos, diz, "entram nesta sala a perder por 5-0".
Esta defesa, continua, "está amarrada pela ausência cognitiva" de Ricardo Salgado, diagnosticado com Alzheimer. "Está ali uma pessoa física despojada da sua capacidade cognitiva", "sem sentimentos", sem "a base de qualquer cidadão". "A comunidade já entendeu isso, mas quem deveria ter entendido persiste em não retirar as necessárias consequências jurídicas dessa decisão".
"Se a pessoa não se chamasse Ricardo Salgado, eu não estava aqui hoje", continua Proença de Carvalho. "É com desilusão profunda que não tenha havido uma mente jurídica humana que se desviasse desta tesa de que só se estiver morto é que poderá não ser julgado". "Onde está o respeito e a consciência humana, quando Salgado não sabe sequer que vai a julgamento num dos processos mais complexos de sempre?".
"Estamos a arrasar todos os pilares do processo penal, só porque a pessoa é o que é". "Até trouxe um estagiário de verão e ele não percebe a possibilidade de ser julgado sem conseguir dizer o que pensa".