AO MINUTO | Advogada dos Anjos: eles "não são mariquinhas", há uma "elite poderosa" a prejudicá-los. Advogado de Joana Marques: "Uma pessoa média percebe que ela só fez humor"
Está encerrada a sessão. Em breve será conhecida a data da leitura da sentença. E em breves minutos vamos publicar na CNN uma reportagem sobre tudo o que se passou. Enquanto isso sugerimos isto:
- Advogada dos Anjos comparou Ricardo Araújo Pereira a Mário Machado
- Tatanka não queria, mas foi. À porta do tribunal para falar de Anjos e Joana Marques
"Há uma elite poderosa" (e não é só Joana Marques) a prejudicar os cantores
Luciana Rosa de Oliveira, também advogada de Sérgio e Nelson, pede da palavra para se dirigir a Joana Marques mas também aos jornalistas. Segundo a advogada, “há uma elite poderosa, incluindo a comunicação social e onde se inclui a Joana Marques, que está a tentar prejudicar uma carreira [dos Anjos] que está a vista de todos”.
Para Luciana Rosa de Oliveira, o que os jornalistas — incluindo este que aqui lhe escreve — estão desde manhã (e desde há outras sessões e outros artigos) a escrever “não é a verdade do que aqui se disse”.
O jornalista assegura que todas as citações aqui lidas são textuais. As considerações que delas se retiram não cabem aos jornalistas mas aos leitores.
“A comunicação social está a tentar condicionar a decisão judicial com uma campanha diária”, assegura Luciana Rosa de Oliveira.
"Uma pessoa média" percebe que o vídeo é humor. E o humor pode sempre "provocar reações negativas"
O segundo advogado de Joana Marques está há largos (bem largos) minutos, e ao contrário das advogadas que vinham falando até aqui, a falar em profundo jurídicês. As frases menos elaboradas (e de entre as que não são ditas em latim também) são as que se transcrevem a seguir:
1) “Joana Marques é humorista e identifica-se como tal.”
2) “A função do humorista é fazer rir. E foi isso que a Joana Marques fez.”
3) “Todo o humor, pela sua natureza jocosa, é suscetível de provocar reações negativas."
4) "Uma pessoa média consegue perceber a natureza humorística do vídeo."
5) "Podemos não gostar e temos direito a não gostar: mas trata-se de uma mera montagem."
6) “Joana Marques não é uma seguradora dos infortúnios dos Anjos — e deve ser ilibada."
Com isto, já alguns jovens (dos curiosos que desde manhã atolam a sala de audiência) começaram a desmobilizar, visivelmente e entre-dentes aborrecidos. Um acabou mesmo expulso, ou convidado a sair, por estar de volta do telemóvel com o som activo.
PS - O trabalho do advogado aparenta habilidade no direito, competência na oratória. Está a desconstruir a acusação. Mas transcrevê-lo aqui, agora, era convidar os leitores a sair. Deixem-se ficar. E não tirem o som do telemóvel.
A advogada de Joana Marques até “simpatiza” com os Anjos. Mas eles têm de saber isto: “Não gostar de uma piada não faz com que uma piada deixe de ser uma piada”
A advogada de Joana Marques, Elsa Seara, avança agora com as suas alegações finais e promete “ser breve”. Começa por dizer isto: "Sempre simpatizei com vocês [Anjos]”. Para depois tirar com outra mão: “Mas isto é um tribunal, não é uma discussão de praça pública. Não é porque vocês sofrerem ou incorporarem menos bem uma piada que a Joana fez, alegando que isso deu origem a cancelamentos, que exista nisto tudo um ato ilícito”. Segundo a defesa, “isso é uma discussão moral, não é técnica”. Porquê? “Não gostar de uma piada não faz com que uma piada deixe de ser uma piada.”
— Vou-me já calar — garante a advogada.
E assim é. Remata desta forma: “A forma como [os Anjos] reagiram a tudo isto até ao dia de hoje, de ‘maneira própria’, como entenderam esta piada, a culpa disso não pertence à Joana Marques”.
“O que ela fez foi uma forma de agressão. Tentou destruir a carreira deles”
Segundo a advogada dos Rosado, que fala já há uma hora, “face ao que aqui foi provado, e face à matéria que temos, não há dúvidas de que os Anjos foram gravemente penalizados pela Joana Marques — e terá de os indemnizar”.
Prejudicou, para Natália Luís, porque “ela utiliza a imagem deles, sem consentimento e sem autorização, para fins comerciais e não se interesse público”. Prejudicou, para Natália Luís, porque “ele fez alterações e cortes num vídeo com problemas de áudio para os prejudicar e incentivar ao ódio, para os ridiculizar e para os denegrir”.
“Afetou a dignidade dele enquanto pessoas e enquanto profissionais: alguém tem dúvidas isto?”, pergunta e responde, novamente, como até aqui na oratória, Natália Luís. “Ela sabe que se mandar um fósforo para cima de um fardo de feno, ele vai pegar fogo”, responsabiliza.
Mas vai ainda mais longe na dureza crítica, e acusação, à humorista: “O que ela fez foi uma forma de agressão. As pessoas não tem de seguir com as suas vidas depois do que ela fez. Houve discriminação. Tentou destruir a carreira deles.”
Por ter mantido a publicação, “e reutilizado”, depois da saber “das consequências”, a advogada os Anjos pode agora: “Que seja condenada em conformidade. É a justiça a funcionar. A ré tem de eliminar a publicação, fazer o retratamento e ficar proibida de utilizar novamente [o vídeo]. Um certo feudo [humoristas] não pode oprimir direitos, liberdades e garantias”.
“Eles não são uns mariquinhas”
Pergunta e resposta — da mesma pessoa, a advogada dos irmãos Rosado, Natália Luís. “Culpa? Claro que tem culpa. Ela [Joana Marques] actuou de forma intencional e com dolo. E mais: alertada do ilícito, alertada dos danos, alegada de que os Anjos sofriam, prosseguiu.”
Nesta sua longa alegação final, Natália Luís advogada: “Não são os Anjos que não lidam bem com a crítica e não, isto não foi só uma piada. Não foi.” E fala em causa própria. “Eu com piada lido bem e até já levei com algumas lá fora. Mas se isso tiver consequência no meu bolso todos os meses, não é o meu ego que está a falar. São prejuízos, reais”, assegura.
O prejuízo resulta do vídeo de Joana e particularmente de uma frase por lá usada: a de que o hino foi pelos Rosado assassinado. “A partir do momento em que se falou em assassinar o hino [no vídeo de Joana Marques], claro que os Anjos não foram comparados à Rosa Grilo. Mas dá mote a que possa instigar ao ódio, influenciar a opinião. Eles não são uns mariquinhas. Dizer 50 vezes que são [mariquinhas] não torna isto verdade.”
Advogada dos Anjos comparou Ricardo Araújo Pereira a Mário Machado
Advogada dos Anjos compara Ricardo Araújo Pereira a Mário Machado
A advogada pergunta: “Quais são os limites do humor?” E responde ela própria, até provei são alegação finais: “O limite é o ilícito”.
Considera a defesa que os irmãos Sérgio e Nelson foram alvos de bullying e ciberbulling por causa de Joana Marques. Mesmo sendo adultos. “O bullying e o cyberbullying só existe com crianças? Não. Isto é um flagelo. É nefasta a desvirtuação de conteúdos e de realidades [que Joana Marques fez]. E é perigoso num Estado de direito. A Joana quis convencer as massas de uma realidade que sabe que não é verdade.”
Depois, apontou a uma das testemunhas anteriores da humorista, o também humorista Ricardo Araújo Pereira, que é descrito pela advogada, no depoimento da anterior sessão, como “um farol iluminado”. “Mas ele não é a luz e nós não estamos na escuridão. Entrou por aqui adentro a dizer que o humor não tem limites, que podem tudo [dos humoristas]. Um dos argumentos do Mário Machado na sua defesa foi precisamente esse, que era a brincar. Não nos podemos permitir a nós próprios isso. Fazer esta reflexão é importante, é muito importante. A liberdade de expressão não é um direito absoluto”, assegura.