"O que causou o apagão total que afetou Espanha e Portugal" é uma pergunta que continua por responder quase 24 horas depois. No entanto, em Espanha, o governo explicou, em conferência de imprensa, a segunda do dia, o que conseguiu apurar até ao momento para que o país ficasse sem energia, arrastando Portugal para o mesmo cenário.
"Não descartamos nenhuma hipótese. Não sabemos as causas", assumiu Pedro Sánchez, citado pelo El País.
No entanto, o governante detalhou os factos já apurados: em apenas cinco segundos, desapareceram do sistema 15 gigawatts de energia, ou seja, 60% da eletricidade que estava a ser consumida. Cinco segundos foram suficientes para mandar o sistema energético abaixo e causar o caos.
Segundo o que se sabe, às 12:33 de Madrid (11:33 em Lisboa) foi detetada “uma oscilação muito forte nos fluxos de energia” das redes eléctricas, que se deveu a uma perda de produção, ou seja, a uma quebra na produção de eletricidade - em Espanha, a energia provém principalmente das centrais nucleares, das centrais hidroelétricas, das centrais de ciclo combinado e dos parques solares e eólicos.
A oscilação provocada por esta queda desencadeou por sua vez a desconexão do sistema elétrico espanhol do sistema europeu, que se baseia numa interconexão com a França e que “levou ao colapso” do sistema e ao consequente apagão generalizado, como explicou Eduardo Prieto, Diretor dos Serviços de Operação da Red Eléctrica, a elétrica do país, em conferência de imprensa.
Mas causas ninguém avança. Nem mesmo a teoria de que teria sido um fenómeno meteorológico - entretanto desmentido pela REN.
Outro dos cenários que se colocou em cima da mesa foi o de um ciberataque. Em Portugal, o Centro Nacional de Cibersegurança informou que não foram identificados indícios que apontassem para esse cenário. A vice-presidente executiva da Comissão Europeia Teresa Ribera disse também não existirem provas de ciberataque no corte maciço no abastecimento elétrico na Península Ibérica.