«Se os ataques continuarem, não vejo solução senão arrancar para Portugal» - TVI

«Se os ataques continuarem, não vejo solução senão arrancar para Portugal»

Fábio Martins, futebolista do Al Hazm, da Arábia Saudita, diz estar «seguro» na cidade de Ar Rass, mas admite preocupação numa altura em que o território saudita já foi atingido em Riade e na refinaria de Ras Tanura, que dista cerca de 40 quilómetros de onde a equipa tem o próximo jogo. «Já falei com colegas de outros clubes e os grandes estão a tentar parar o campeonato», disse

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O português Fábio Martins, futebolista do Al Hazm, clube da Arábia Saudita, diz estar «seguro» nesta altura, entre o conflito no Médio Oriente, mas admite que está a ponderar o regresso da família a Portugal para breve. E até dele próprio, caso o campeonato saudita seja parado nas próximas semanas.

O Al Hazm é um clube sediado em Ar Rass, a Norte de Riade, capital da qual dista cerca de 400 quilómetros. «Para já eu sinto-me seguro, se não visse as notícias não sabia o que se passava», admite Fábio Martins, de 32 anos.

No entanto, o território saudita já foi afetado na sequência de um conflito que eclodiu quando, no sábado, Israel e Estados Unidos lançaram um ataque militar contra o Irão, que já resultou na morte do aiatola Ali Khamenei, mas também na morte de, pelo menos, 555 pessoas no Irão, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano, sendo que o Exército dos Estados Unidos confirmou também a morte de quatro militares norte-americanos.

Em Riade, capital saudita, a embaixada dos EUA foi atacada na última noite por dois drones, provocando um «incêndio de pequena escala» e danos menores, segundo o Ministério da Defesa da Arábia Saudita, citado pela agência Associated Press (AP). Também a refinaria de petróleo de Ras Tanura foi atingida, na segunda-feira, por drones iranianos. E é ali bem perto, em Saihat (cerca de 40 quilómetros), que o Al Hazm de Fábio Martins joga na próxima sexta-feira, em jogo da 25.ª jornada, ante o Al Khaleej, tendo previsto um voo para Dammam, que dista mais ou menos a mesma distância da refinaria atingida.

«O próximo jogo é sexta-feira e temos uma viagem para Dammam, [ndr: perto de onde] a refinaria foi atacada, não sabemos se vamos ter voo, é preocupante», afirmou o atleta, em declarações à CNN Portugal, admitindo regressar a solo luso, consoante o que acontecer.

«Sim, já falei com a minha esposa, estamos a aguardar, até porque temos de resolver umas papeladas para viajar, temos também o nosso cão. A minha ideia seria sim, mas acho que, se o campeonato parar, arrancamos todos. Se [ndr: os ataques] continuarem, não vejo outra solução, senão arrancar para Portugal. Agora, temos de esperar pela Federação, para ver se o campeonato vai parar ou não, questão de segurança para jogar ou não, viajar ou não. Continuar o campeonato sem segurança não faz sentido», referiu.

«Já falei com colegas de outros clubes e os grandes estão a tentar parar o campeonato»

Fábio Martins, que cumpre a primeira época no Al Hazm, falou ainda de conversas que tem tido com colegas de profissão na Arábia Saudita, dando a ideia de que os principais clubes estão a parar a liga, fruto do conflito e de potencial insegurança em competir ao ar livre.

«Já falei com colegas de outros clubes e o que sinto é que principalmente os grandes estão a tentar parar o campeonato. Ainda para mais, este mês só há dois jogos no campeonato, agora no dia 6 e depois no dia 12 e, depois, por conta do Ramadão, o campeonato vai parar, por isso acho que a ideia da maior parte dos jogadores era que o campeonato parasse e que pudéssemos viajar para os nossos países para estarmos em segurança e, depois, se as coisas melhorarem, reatar», disse.

Fábio Martins já tinha jogado na Arábia Saudita nas três épocas anteriores, no Al Khaleej, o próximo adversário, bem como em 2020/21, no Al Shabab. Pelo meio, entre 2021 e 2022, ainda voltou a Portugal para o Sp. Braga e jogou nos Emirados, no Al Wahda. Formado no FC Porto, jogou ainda como sénior no Famalicão, Desp. Chaves, Paços de Ferreira e Desp. Aves. E, olhando ao futuro, admite que pondera prosseguir a carreira fora da Arábia Saudita.

«Temos de pensar, não só em nós, mas na nossa família e é complicado estar numa situação destas, num sítio onde algo de grave pode acontecer. O meu contrato acaba no final desta época e isso, como é lógico, é algo que vou ter de repensar, o próximo passo na próxima época», afirmou.

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