A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) admitiu esta quinta-feira que a carne proveniente de 11 locais de abate clandestino fiscalizados desde o fim-de-semana foi vendida em restaurantes, chegando ao consumidor sem qualquer controle de qualidade.
Segundo o porta-voz da ASAE, Manuel Lage, os animais eram abatidos nas próprias casas ou em barracões sem o «mínimo de condições e controlo sanitário» e a carne comprada por restaurantes e consumidores particulares «sem garantia de que esteja em condições de ser consumida».
A ASAE fez durante o fim-de-semana passado e quarta-feira quatro operações de fiscalização em várias zonas do país, como Arouca ou Tocha, com especial incidência na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Foram apreendidas cerca de duas dezenas de carcaças de gado bovino, suíno e caprino, bem como diversas peles e instrumentos de abate, e detidas seis pessoas.
De acordo com a mesma fonte, num dos locais fiscalizados, em Almada, as carcaças abatidas conviviam com cerca de 20 cães e os seus detritos.
Durante esta operação, a ASAE chegou mesmo a aperceber-se de que alguns compradores se encontravam no local para adquirir carne.
Manuel Lage disse à Lusa que o abate clandestino é um fenómeno generalizado em Portugal, muitas vezes escudado na tradição rural de matar animais para consumo próprio e dos vizinhos.
Em 2006, a ASAE fez 50 acções de fiscalização ao abate clandestino de animais, tendo instaurado 42 processos-crime e feito 40 detenções.
O abate clandestino de animais é um crime punido com penas até três anos de cadeia, normalmente convertíveis em multa.
Carne ilegal à mesa dos restaurantes
- Portugal Diário
- 18 jan 2007, 13:39
Carcaças estavam misturadas com cães e dejectos animais
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