"A China não é o inimigo". Ativistas interrompem sessão sobre a China no Congresso dos EUA - TVI

"A China não é o inimigo". Ativistas interrompem sessão sobre a China no Congresso dos EUA

  • Agência Lusa
  • AG
  • 1 mar 2023, 07:14
Ativista protesta em sessão sobre a China no Congresso dos EUA (Alex Brandon/AP)

Representantes estiveram três horas a debater e acabaram por concordar na importância de competir com o gigante asiático

Dois ativistas pela paz interromperam a primeira sessão de um novo comité sobre a China da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos.

Os dois manifestantes entoaram slogans enquanto seguravam faixas com mensagens como "a China não é o inimigo" ou "fim ao ódio contra os asiáticos", antes de serem retirados pela polícia.

Após o incidente, o presidente da Aliança para a Manufatura Norte-americana, uma associação de promoção da produção industrial local, Scott Paul, disse que “estes manifestantes seriam silenciados na China”.

Durante a sessão de terça-feira, que durou cerca de três horas, os representantes dos partidos democrata e republicano concordaram com a importância de competir com o gigante asiático, a segunda maior economia do mundo.

"Estamos numa luta existencial sobre como será a vida no século XXI", disse o presidente do comité, o republicano Mike Gallagher.

Entre os assuntos discutidos durante a sessão estiveram os possíveis planos das autoridades chinesas para invadir Taiwan.

Tong Yi, antiga secretária do dissidente chinês Wei Jingsheng, disse que Pequim quer controlar a ilha porque esta é um grande exemplo de que é possível manter os valores tradicionais chineses e desenvolver "uma democracia vibrante".

O antigo conselheiro do executivo do ex-Presidente Donald Trump (2017-2021), Matthew Pottinger, disse que os Estados Unidos devem reconhecer a hostilidade do líder chinês Xi Jinping em relação aos valores ocidentais.

O investigador incentivou os membros da Câmara dos Representantes a protegerem os imigrantes chineses residentes nos Estados Unidos para que possam "desfrutar das liberdades" que distinguem o país da China.

A importância de combater a discriminação contra os cidadãos de origem asiática foi repetida por alguns legisladores democratas, incluindo Raja Krishnamoorthi, um dos líderes do comité.

Mike Gallagher disse que está empenhado em garantir que o foco do comité esteja no Partido Comunista Chinês, não no povo da China.

Por outro lado, Krishnamoorthi pediu investimento continuado na indústria dos EUA, citando a recente lei para impulsionar o fabrico de semicondutores aprovado pelo Governo de Joe Biden como um exemplo do caminho a seguir.

A sessão discutiu ainda questões como a segurança da rede social TikTok, versão internacional da aplicação chinesa Douyin, detida pela empresa chinesa ByteDance.

Os EUA deram na segunda-feira 30 dias às agências federais para eliminarem a TikTok dos dispositivos do Governo, devido aos "riscos apresentados pela aplicação a dados sensíveis".

A criação do comité bipartidário sobre a China foi uma das promessas dos republicanos quando conquistaram o controle da câmara baixa do Congresso dos Estados Unidos durante as eleições intercalares em novembro.

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