Atores de Hollywood entram em greve: "É o momento de nos erguermos e exigirmos respeito" - TVI

Atores de Hollywood entram em greve: "É o momento de nos erguermos e exigirmos respeito"

  • CNN Portugal
  • MJC
  • 13 jul 2023, 20:25
A atriz Fran Drescher, presidente do sindicatos dos atores americanos, e o diretor executivo Duncan Crabtree-Ireland

Paralisação começa esta noite. Pelo menos 160 mil atores estarão em greve, sem poder participar em produções ou promover os seus trabalhos

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O sindicato dos atores de Hollywood anunciou esta quinta-feira que os atores vão entrar em greve. A paralisação começa à meia-noite desta quinta-feira (horário de Los Angeles). Mas, segundo a BBC, os primeiros efeitos começaram já a fazer-se sentir: em solidariedade com a greve, o elenco de "Oppenheimer", o novo filme de Christopher Nolan, abandonou a estreia no Reino Unido.

"Os atores merecem um contrato que reflita as mudanças no modelo de produção", anunciou Duncan Crabtree-Ireland, diretor executivo nacional do sindicato, em conferência de imprensa, explicando que o fim das negociações com os estúdios não lhes deu outra hipótese. "Os atores são trabalhadores também, não se esqueçam disso. Também têm direitos."

"Temos um problema", admitiu Fran Drescher, presidente da SAG-AFTRA. "Uma greve é uma coisa muito séria, que afetará milhares, se não mesmo milhões de pessoas, em todo o mundo, pessoas da indústria do cinema e não só, pessoas que dependem desta indústria. É com grande tristeza que chegamos a esta encruzilhada. Mas não temos hipótese. Nós é que somos as vítimas.Temos sido desrespeitados e desonrados. Este é o momento da verdade. Em algum momento temos de dizer não, não vamos aguentar mais isto. É o momento de nos erguermos e exigirmos respeito."

Os atores exigem salários mais altos, aumento dos pagamentos de direitos de voz e imagem e limites claros ao recurso a imagens geradas por inteligência artificial. Os membros do sindicato sublinharam que os contratos não refletem os novos modelos de produção, nomeadamente das empresas de streaming, e que os salários dos atores não acompanharam a inflação, por isso, na realidade, muitos deles hoje recebem menos do que ganhavam há 20 anos. Visivelmente irritada, Drescher afirmou que as propostas dos estúdios foram "um insulto". Estão a ser muito "gananciosos", acusou. Além disso, existe a enorme preocupação com a Inteligência Artificial: "Estamos em risco de sermos substituídos por máquinas."

"Esta greve poderia ter sido evitada se eles tivessem sido razoáveis", concordou Duncan Crabtree-Ireland.

O Sindicato de Atores dos Estados Unidos e os principais estúdios de cinema e televisão terminaram, na quarta-feira, sem sucesso quatro semanas de negociações sobre um novo acordo de trabalho. Em causa estão negociações entre o SAG-AFTRA (Screen Actors Guild), que representa cerca de 160 mil trabalhadores, e a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), em representação dos principais estúdios de produção, como Disney, Paramount, Warner, Sony, Netflix e Amazon.

O sindicato  representa quase todos os atores de televisão e cinema, que votaram a favor da  greve, juntando-se assim à paralisação dos argumentistas que já dura há dois meses. Desde 1980 que os atores americanos não faziam greve e desde 1960 que não o faziam ao mesmo tempo dos argumentistas.

Como funciona a paralisação de Hollywood?

A coordenação do sindicato decidiu que os atores não poderão representar nem promover nenhum título, seja um filme ou uma série, não podem participar em conferências de imprensa, ante-estreias, tapetes vermelhos e divulgações em eventos como a San Diego Comic-Con ou mesmo promover os seus trabalhos nas redes sociais.

Mas os profissionais poderão participar em convenções desde que não integrem painéis que promovam títulos recém lançados ou trabalhos futuros. Isso quer dizer que um ator pode participar num painel sobre um tema geral como diversidade e história, mas não pode subir ao palco para falar de um filme.

Os estúdios de Hollywood já realizaram reuniões sobre vários filmes que serão lançados em julho e agosto, como “Barbie”, da Warner Bro., e “Gran Turismo”, da Sony Pictures, para decidir como poderão tratar estes casos.

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