Nenê e a subida do AVS: «Com Jorge Costa, o tempo trará sucesso» - TVI

Nenê e a subida do AVS: «Com Jorge Costa, o tempo trará sucesso»

  • Samuel Santos
  • Estádio Clube Desportivo das Aves, Vila das Aves
  • 24 jul 2024, 09:51

A poucos dias de completar 41 anos, o máximo goleador na última edição da II Liga recebeu o Maisfutebol na Vila das Aves, para recordar o ano de Jorge Costa no AVS e as peripécias até à promoção. Das memórias com Sereno ao triunfo sobre o Portimonense, Nenê não define data para rematar o capítulo final - Parte I

Relacionados

A planear o futuro, mas sem pressa para deixar os relvados, Anderson Miguel da Silva – o Nenê – prepara o regresso à Liga, quatro anos depois. A poucos dias de completar 41 anos – o que acontecerá no domingo – o avançado do AVS recorre aos números das últimas três épocas para, ao Maisfutebol, projetar o ano 21 da carreira profissional.

Em 2023/24, o ponta de lança assinou 23 golos na II Liga, garantindo o trono dos «artilheiros». Antes, pelo Vilafranquense, fez 33 golos em 64 partidas. Todavia, este nome ecoa no futebol português há 16 anos.

No verão de 2008 chegou à Madeira para reforçar o Nacional do professor Manuel Machado. Um ano inesquecível, com 20 golos na Liga, superando Óscar Cardozo e Liedson. Em simultâneo, o quarto lugar no campeonato, a sete pontos do pódio.

Numa carreira construída entre Portugal e Itália – onde completou nove épocas, entre Cagliari, Hellas Verona, Spezia e Bari – Nenê guarda palavras de apreço para Jorge Costa, Henrique Sereno, Vítor Campelos e, claro, Manuel Machado.

De metas definidas – ora para esta época, ora para o «pós-carreira» – o avançado prioriza a família, peça-chave para se superar a cada ano.

Leia também:

II – «Marcar na Liga será mais difícil, mas quero atingir os 12 golos»

III – «Estou grato a Manuel Machado, que me deu a oportunidade de jogar na Europa»

Maisfutebol – São mais de 20 anos de carreira profissional, e quase 41 anos de vida. Como perspetiva a nova temporada?

Nenê – É muito tempo. Disputar uma grande Liga como a portuguesa obriga-me a reforçar o foco, independentemente da idade.

MF – Jorge Costa esteve ao leme do AVS na última época. Quem é este treinador?

N.N – Um grande profissional. Nunca tinha trabalhado com ele, apenas jogado contra, quando ele orientava o Académico de Viseu. Manteve-se focado na subida à Liga. É um grande profissional, de um grande caráter. Quando se trabalha com um treinador assim, é só esperar, porque o tempo trará o sucesso.

MF – Qual a ideia-chave de Jorge Costa?

N.N – A tranquilidade, porque nunca nos pressionou. E o profissionalismo, sempre focado, como foi também enquanto jogador. Apenas guardo boas memórias e estou eternamente grato.

MF – Ficou surpreendido pela saída deste treinador?

N.N – No futebol é complicado ficarmos surpreendidos [pelos rumos de carreira]. Hoje estou aqui, amanhã não sei. As portas abrem e fecham, o mundo gira. Se ele percebeu que [o cargo no FC Porto] era uma grande oportunidade, saiu vitorioso e de objetivos cumpridos, e hoje trabalha numa grande equipa. Merece tudo.

MF – Em que momento o grupo soube que Jorge Costa não iria continuar no AVS?

N.N – Soubemos aquando da candidatura de André Villas-Boas à presidência do FC Porto. A vontade de sair era grande, mas a equipa nunca se deixou abater. Até porque sabíamos que o mister continuaria focado, ambicionando a subida à Liga.

MF – O AVS foi 3.º da II Liga, garantindo a promoção no play-off. Ainda assim, terminaram o campeonato empatados com o Marítimo (4.º), com 64 pontos. Foi uma fase final complicada?

N.N – Sim, foram semanas menos fáceis. Fruto da juventude de parte do plantel, a pressão acabou por atrapalhar. Mas, a equipa trabalhou desde o verão, e nunca diriam que éramos candidatos à subida. Procuramos o nosso lugar e conseguimos estar entre os líderes. Tivemos muito mérito, assim como o Santa Clara e o Nacional, que também se mantiveram no topo. Agora, há que continuar.

MF – Nas derradeiras cinco jornadas, apenas venceram o Paços de Ferreira, registando três empates e uma derrota. De que forma, enquanto capitão, acalmou o grupo nesta fase decisiva e delicada?

N.N – Procuro transmitir a minha experiência, de sucessos e momentos menos bons. Devemos transmitir tranquilidade aos mais jovens, mas também toda a responsabilidade. Hoje, o futebol gira em volta destes jovens e eles também devem assumir as responsabilidades. Fizemos jogo a jogo, sabíamos que, se não vencêssemos, a pressão aumentaria. Mas, nada retira mérito à nossa subida.

MF – Naquela noite ante o Portimonense, neste estádio, o que sentiu aquando do apito final?

N.N – Alívio [risos]. Ninguém nos apontava como candidatos à subida. No decorrer da II Liga provamos do que éramos capazes. É certo, a reta final foi má, pelo que conseguir a subida foi um alívio. Nas últimas jornadas houve incerteza e garantimos o acesso ao play-off graças a um empate do Marítimo. Esse momento ajudou-nos a partir mais tranquilos para os jogos com o Portimonense.

MF – Entre festa, alívio e orgulho, ponderou terminar a carreira?

N.N – Não. Depois de tudo o que fizemos…Eu disse que, a terminar a carreira, terá de ser na Liga. Não poderia parar naquele momento.

MF – Então o que planeia? Mais um ano?

N.N – Se o meu corpo corresponder e conseguir repetir a última época, se continuar bem dentro e fora de campo, então ainda não tenho data para parar.

MF – Na última temporada marcou 11 golos em nove jornadas consecutivas. Qual o segredo?

N.N – Quando se marca consecutivamente, os colegas procuram-te mais. Também fiz alguns golos de livre, uma aprendizagem fundamental ao longo da carreira. E, depois, é fruto de trabalho e confiança. Tenho de sentir que marcarei em todos os jogos. Se fiz 25 golos na última época, devo agradecer aos meus colegas.

 

MF – Que relação construiu com Henrique Sereno, que, até junho, esteve ao leme desta SAD? Foram adversários, quando o Sereno jogava no Vitória de Guimarães e o Nenê no Nacional.

N.N – Guardo boas memórias. Encontrei uma grande pessoa, hoje um grande amigo. Foi um grande presidente e nunca nos falhou. Aliás, ajudou a transmitir tranquilidade ao balneário nos momentos finais da época. Acreditou sempre no nosso trabalho. Só lhe devo agradecer pelo sucesso que nos ajudou a atingir.

MF – Não tem muitas lesões. Tem alguma rotina em particular?

N.N – Por exemplo, treinamos esta manhã, então é importante saber descansar depois do almoço. E, claro, há a rotina do ginásio. Devemos respeitar o exercício que um profissional – que muito estudou – nos dá para realizar. Efetuar corretamente o exercício é fundamental para prolongar a carreira.

MF – Já tem o curso de treinador, concluído durante a pandemia, quando estava no Leixões.

N.N – Tenho o grau UEFA B. Se tiver a oportunidade de estudar um patamar mais elevado, assim o farei. Neste momento não será fácil, porque jogo. Quero continuar no mundo do futebol.

Continue a ler esta notícia

Relacionados