A Caixa Geral de Depósitos (CGD) quer devolver toda a ajuda financeira que recebeu dos contribuintes e “não se juntar a outros casos que são a fundo perdido”, afirmou esta terça-feira o presidente do banco público, Paulo Macedo, numa audição no Parlamento por causa do encerramento de mais de duas dezenas de balcões no verão passado.

Macedo não mencionou os casos de ajudas envolvendo dinheiro público e que não foram (ou não vão ser) devolvidas, mas há duas situações que saltam à vista nos últimos anos: os 3,4 mil milhões injetados no Novobanco ao abrigo do mecanismo de capital contingente (embora a proveniência das injeções, se pública ou dos bancos, seja disputada entre Tribunal de Contas e Fundo de Resolução e Governo) e os mais de três mil milhões para salvar a TAP na sequência da crise pandémica.

Para o CEO da Caixa, devolver os 3,9 mil milhões de euros (incluindo 2,5 mil milhões de dinheiro fresco) que o banco recebeu do Estado em 2017 “não é o objetivo último”.

Porém, “claramente é umas das prioridades da Caixa mostrar que pode haver dinheiro investido em empresas do Estado que é rentável e que é devolvido aos cidadãos, e não se juntar a outros casos que, digamos assim, são a fundo perdido”, atirou Paulo Macedo aos deputados da comissão de orçamento e finanças.

“Devolver o dinheiro ao Estado não se trata de público ou privado: é uma obrigação. Senão a Caixa estava como outras instituições que são frequentemente citadas nos jornais por perdas de dinheiro que desaparece. O dinheiro na Caixa não desaparece, vai ser devolvido e a um ritmo maior”, assegurou ainda.

Desde a recapitalização, cujo processo de reestruturação que se seguiu foi concluído com sucesso no ano passado, o banco já devolveu mais de 800 milhões de euros ao Estado, através de dividendos, tendo já sinalizado que vai pagar, dentro de meses, o “maior dividendo da sua história”, depois dos lucros de 692 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2022.

Claramente é umas das prioridades da Caixa mostrar que pode haver dinheiro investido em empresas do Estado que é rentável e que é devolvido aos cidadãos, e não se juntar a outros casos que, digamos assim, são a fundo perdido", Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos.

Estrangeiros comprarem Popular por um euro? Hoje não acontecia

Paulo Macedo garantiu ainda que a Caixa está hoje mais reforçada até mesmo para evitar casos como da compra do Banco Popular pelo Santander por um euro, em 2017. “É por a Caixa estar hoje como está que, por exemplo, não acontecia hoje um banco estrangeiro comprar o Banif e o Banco Popular por um euro”, disse o gestor, assegurando que o banco público deixou de ser uma “caixinha” sem poder no mercado.

“Naquela altura a Caixa vinha de seis anos de prejuízos sem qualquer possibilidade em termos de capital e de solvabilidade. Foi por isso que foram bancos estrangeiros que compraram e foi por isso que esses bancos ultrapassaram as quotas”, defendeu. “A Caixa não tinha capital, estava à beira da resolução, tinha seis anos de prejuízos”, frisou.

Tanto o Banif como o Banco Popular foram comprados pelo Banco Santander Totta, por 150 milhões (2015) e 1 euro (2017), respetivamente, na sequência de dificuldades que levaram à intervenção das autoridades.

Paulo Macedo também afastou a ideia de que à Caixa basta dar um “lucrozinho” e que pode manter a estrutura sem pensar em ser mais competitiva em relação à concorrência. “É uma ideia totalmente errada”, disse.

“A Caixa não tem encerramentos [de balcões] previstos para este ano, mas estará atenta ao mercado. Não ficará a olhar para os outros, não ficará a perder competitividade enquanto os outros vão sendo mais rentáveis”, avisou.

Sobre o tema dos balcões, Macedo assegurou que a Caixa vai manter-se em todos os concelhos do país (à exceção das ilhas, que é um caso especial), como determinam as orientações do Governo para o banco público.

ECO - Parceiro CNN Portugal / Alberto Teixeira