Mercado de trabalho poderá ser “dique” a segurar a economia ou “primeira peça do dominó”, avisa Centeno - TVI

Mercado de trabalho poderá ser “dique” a segurar a economia ou “primeira peça do dominó”, avisa Centeno

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  • Mariana Espírito Santo
  • 4 out 2023, 16:20
Mário Centeno (Lusa/Mário Cruz)

Mário Centeno destaca a resiliência do mercado de trabalho em Portugal, que tem permitido sustentar as economias e o rendimento nesta fase de subida agressiva das taxas de juro.

O governador do Banco de Portugal considera que o mercado de trabalho será “o ponto-chave que ditará o sucesso do ajustamento“, após este período de elevada inflação e quando se sentir o efeito total da política monetária. Poderá funcionar como um “dique” que permite à economia resistir ou então ser a “primeira peça do dominó” a cair.

Mário Centeno destacou várias vezes a resiliência do mercado de trabalho, na apresentação do boletim económico de outubro, que prevê uma taxa de desemprego de 6,5% este ano e 6,7% no próximo. “O mercado de trabalho deverá manter uma evolução favorável, com mais emprego e ganhos reais dos salários”, lê-se no documento, que projeta um crescimento do emprego de 0,8% em 2023, de 0,2% em 2024 e de 0,4% em 2025.

Ainda assim, o governador coloca a questão: “continuará a funcionar como um dique para conter as tensões que se vão criando em todas as dimensões da economia ou vai ser primeira peça do dominó e gerar uma aterragem que não seja aquela com que contamos”? A aterragem, ou seja, a forma como a economia emerge das pressões vividas atualmente, poderá ou não ser suave.

“Temos de antecipar e ter decisões que sejam compatíveis” com o objetivo, nota ainda o ex-ministro das Finanças, pelo que as políticas devem “garantir que esta peça, este dique não se rompa, porque é ele que neste momento sustém as nossas economias”, defende.

Centeno indica que foi possível “manter os níveis de rendimento disponível das famílias, quer nominal quer real” devido ao mercado de trabalho, que se caracterizou por uma “manutenção do emprego e crescimento sem nenhum paralelo”. “Durante as crises financeira e da dívida soberana, o emprego caiu 14%, pelo que existem 27 pontos percentuais de diferença entre o comportamento de há 10 anos e atualmente”, destaca.

Já sobre os salários, a tendência será de crescimento. No boletim, indica-se que “o salário médio por trabalhador na economia deverá aumentar 7,6% em 2023 e, em linha com a expectativa de diminuição da inflação, desacelerar para taxas de crescimento de 4,8% em 2024 e 3,6% em 2025″. Estas projeções incorporam a evolução do salário mínimo anunciada pelo Governo e “traduzem-se em ganhos reais do salário per capita de 1,7%, em média, ligeiramente acima do crescimento esperado da produtividade”.

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