O multimilionário chinês Bao Fan, fundador e líder do China Renaissance, está desaparecido, mergulhando um dos maiores bancos de investimento do país num clima de incerteza.

Bao Fan é uma figura importante na indústria tecnológica chinesa, com contributo para o surgimento de várias startups.

As ações do China Renaissance caíram depois de a empresa ter anunciado à bolsa de Hong Kong, esta quinta-feira, que não estava a conseguir contactar Bao: chegaram a cair mais de 50%.

Não foram prestados mais detalhes sobre o desaparecimento. Segundo a imprensa internacional, quando fez o anúncio, a empresa não estava a conseguir contactar há dois dias o empresário de 52 anos.

A administração da empresa enviou uma mensagem aos funcionários, esta sexta-feira, pedindo que não se preocupem, “não acreditando ou espalhando rumores”.

O desaparecimento de Bao alimenta receios de uma nova quebra na indústria financeira chinesa, numa altura que o presidente Xi Jinping persiste na sua campanha contra a corrupção, com o governo a reprimir grandes indústrias como a tecnologia, a educação ou o imobiliário.

Pelo menos seis multimilionários já foram intimidados pelo regime de Xi Jinping, incluindo Jack Ma, o fundador da plataforma de comércio eletrónico Alibaba, que esteve desaparecido durante três meses em 2020, depois de criticar os reguladores do mercado.

Em 2017, Xiao Jianhua, que controlava a Tomorrow Holdings, foi detido no seu quarto no hotel Four Seasons em Hong Kong e levado para a China continental. Foi condenado, em agosto de 2022, a 13 anos na prisão.

Wang Wenbin, porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, disse “não conhecer informações relevantes”, quando questionado sobre o desaparecimento de Bao.

O China Renaissance cresceu no campo financeiro, com mais de 700 empregados e escritórios em Pequim, Xangai, Hong Kong, Singapura e Nova Iorque.

Bao fundou o banco em 2005 depois de trabalhar no Morgan Stanley e no Credit Suisse. Deste então, o grupo tem apoiado a entrada em bolsa de vários gigantes da internet na China e a fusão de grandes empresas.

CNN Portugal / WL