Valter Vieira, ex-diretor desportivo do Vitória de Setúbal, caiu em escutas telefónicas onde afirma que o Benfica prometeu 10 mil euros a cada atleta sadino que jogou frente ao FC Porto a 19 de março de 2017, conseguindo um empate. “Eles têm de dar a mala. O Benfica tem de se chegar à frente”, disse o dirigente do Vitória ao telefone, tendo depois confirmado à Polícia Judiciária os incentivos pagos pelas águias.

No megaprocesso que corre contra o Benfica há cinco anos, e a que a TVI/CNN Portugal teve acesso, constam informações sobre o chamado “jogo da mala” – incentivos aos clubes pequenos nas atuações frente aos grandes rivais.

Na altura, os chamados pagamentos para ganhar não configuravam crimes de corrupção, o que passou a acontecer dois meses depois, numa alteração à lei em maio de 2017. Mas, por se tratar de pagamentos em dinheiro vivo, não documentados, configuram crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Também neste capítulo do processo há escutas entre o mesmo Valter Vieira e o então jogador Nelson Lenho, que alinhava no Desportivo de Chaves. E o primeiro contou ao segundo que já antes tinham sido oferecidos pelo Benfica 15 mil euros a cada jogador da BSAD caso conseguissem ganhar ao FC Porto.

A BSAD já reagiu à notícia avançada pela TVI/CNN Portugal, garantindo que "aos jogadores [do clube], nunca o Benfica ofereceu qualquer prémio para se ganhar ao FC Porto".

Estes são apenas alguns dos factos pelos quais o Benfica terá que responder quando for proferida uma acusação, no processo que versa sobretudo sobre corrupção desportiva, por suspeitas de que atletas foram subornados para que facilitassem nos jogos frente aos encarnados.

Benfica visado por penálti

Também esta semana a TVI/CNN Portugal noticiou um outro caso que está em investigação e que envolve o Benfica. Acreditam as autoridades que o clube da Luz terá pago ao Moreirense através da contratação do jogador Alfa Semedo para que o atleta cometesse um penálti no último jogo do campeonato da época 2017/18.

Este é um dos factos que consta no megaprocesso que corre contra o Benfica, há cinco anos, e a que a TVI/CNN Portugal teve acesso. 

Estavam em causa 43 milhões de euros para quem alcançasse o segundo lugar no campeonato e chegasse à Liga dos Campeões – uma vez que o FC Porto se iria sagrar campeão – e os dois rivais de Lisboa disputaram a vaga até ao fim. 

Na última jornada, a 13 de maio de 2018, o Sporting perdeu pontos na Madeira, frente ao Marítimo, com um deslize do guarda-redes Rui Patrício, e o Benfica assegurou os 3 pontos decisivos num jogo cujo resultado o Ministério Público, após investigação da Polícia Judiciária, acredita ter sido viciado.

Existe no processo a suspeita de corrupção desportiva, para benefício do Benfica, por dependência económica de vários clubes de dimensão menor que os encarnados, algo que compete agora ao Ministério Público demonstrar numa acusação que deverá ser conhecida ainda este ano.

Na mesma investigação o Ministério Público intercetou várias mensagens entre os então presidente do Benfica e treinador do Sporting. Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus, que antes disso tinham partilhado o balneário dos encarnados durante seis anos, tinha constantes conversas, incluindo antes de jogos dos clubes.

Isso mesmo foi possível de concluir após uma análise exaustiva ao telemóvel de Luís Filipe Vieira no megaprocesso em que o Benfica é investigado há cinco anos. "Não tenho dúvidas de que nós os dois sabemos mais a dormir do que eles todos acordados", pode ler-se numa das mensagens.

Mesmo depois de várias trocas de acusações e de provocações de parte a parte na sequência da saída de Jorge Jesus da Luz para Alvalade, os dois não deixaram de se falar.

Henrique Machado