(artigo criado a 14/08/2025, atualizado às 22:30 de 20 de agosto, com o empate no Fenerbahçe-Benfica)
O apuramento do Benfica para o play-off de acesso à fase de Liga da Champions permitiu às águias reservarem um «paraquedas» de 8,6 milhões que será automaticamente ativado se a equipa de Bruno Lage falhar o apuramento para a fase de liga da Champions.
Se for eliminado no play-off, que se decide esta quarta-feira na Luz - o Benfica empatou 0-0 em Istambul - o conjunto português recebe 4,29 milhões de euros por isso e ainda mais €4,31M correspondentes ao valor que é pago por igual a cada uma das equipas que marcarão presença na chamada fase regular da Liga Europa.
Só por aí ficam vincadas as diferenças entre as duas principais competições europeias no que diz respeito a pagamentos. É que o apuramento para a fase de liga da Champions permitirá ao Benfica mais do que duplicar esse montante, já que a presença entre as 36 equipas garante 18,62 milhões de euros a cada uma delas.
Mas o valor que está em jogo na eliminatória com o Fenerbahçe é muito mais do que os 10 milhões de euros que separam as participações numa ou noutra competição.
Em contas redondas, se tiver sucesso no embate com a equipa de José Mourinho o Benfica pode estimar a entrada nos cofres da SAD um montante a rondar os 43 milhões de euros.
É que aos €18,62M juntar-se-á o chamado value pillar, um bolo dividido em duas fatias que combina o valor dos contratos de media com as respetivas associações europeias e o ranking dos clubes a cinco e a dez anos. Através disso é calculado o valor a receber por cada um dos 36 emblemas, num bolo total de 853 milhões de euros que é depois separado em duas partes desiguais. Uma delas, que contempla 73 por cento do valor e diz respeito ao mercado europeu (UEFA), é distribuída através do cálculo entre o chamado market pool e o ranking a cinco anos; a outra, de 27 por cento, é calculada de forma mais simples: ranking a dez anos.
Por aqui, a SAD encarnada pode dar como garantida a entrada nos cofres de um valor que deverá rondar os 25 milhões de euros logo à cabeça: perto de 16 milhões de euros pelas – possivelmente 17 – parcelas europeias (de 935 mil euros cada) do value pillar a que terá direito pela parte europeia (o fraco poderio financeiro do mercado luso joga aqui contra o ranking desportivo do Benfica) e os praticamente certos 8,3 milhões de euros – ficará no 13.º lugar entre as 36 equipas no ranking a dez anos e, por isso, tem direito a 24 parcelas de 346 mil euros cada – relativos à restante parte do bolo.
Contas arredondadas, a entrada na fase de liga da Champions deverá render ao Benfica algo não muito longe dos 45 milhões de euros. Significa isso que, em caso de fracasso, se tivesse de contentar-se com a Liga Europa, a SAD liderada por Rui Costa teria um rombo na ordem dos 35 milhões de euros? Não! Mas seriam, ainda assim, muitos milhões a «voar», já que o value pillar distribuído na segunda competição europeia de clubes é de 198 milhões de euros – quatro vezes menos – e o encaixe proveniente deste bolo ficaria aquém dos 10 milhões de euros, o que significaria ainda assim uma diferença entre os 25 e os 30 milhões de euros de uma competição para a outra.