Bessarábia, uma região tradicionalmente pró-russa que hoje tem "orgulho em ser ucraniana" - TVI

Bessarábia, uma região tradicionalmente pró-russa que hoje tem "orgulho em ser ucraniana"

  • CNN Portugal
  • BCE
  • 12 fev, 20:35
Guerra na Ucrânia (AP Photos)

A região, delimitada pelos rios Danúbio e Dniester e pelo Mar Negro a sul e Moldova a norte, alberga atividades económicas importantes para a economia da Ucrânia

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Tradicionalmente pró-russa, a população da Bessarábia tem hoje "orgulho em ser ucraniana". Quem o diz é o presidente da Câmara de Izmail, que administra a região, citado pela revista The Economist.

No início da invasão russa da Ucrânia em 2014, a Bessarábia gerou preocupação entre os dirigentes, uma vez que apenas menos de metade da população se identificava como ucraniana. A região era pobre e, por razões económicas e históricas, muitas pessoas olhavam para Vladimir Putin como aquele que poderia ser o seu "salvador", como descreve a revista.

Mas os esforços da Rússia para criar problemas nesta região, delimitada pelos rios Danúbio e Dniester e pelo Mar Negro a sul e Moldova a norte, falharam.

(Elmurod Usubaliev via Getty Images)

Oleh Kiper, governador da região de Odessa, garante à The Economist que o sentimento pró-russo naquela região diminuiu desde a invasão de 2014 e "caiu" na sequência da invasão de fevereiro de 2022. O governador atribui essa tendência ao bloqueio da “propaganda televisiva russa por satélite” em 2015, com a ajuda da França.

Desde então, diz o governador, a Bessarábia tem sido não só uma região pacífica, como também uma zona crucial para a economia da Ucrânia. É que centenas de camiões de transporte de cereais e outros bens essenciais passam diariamente naquela região. A partir dali, fazem-se exportações para os portos de Izmail e Reni, no Danúbio, ou para a Roménia e outros países.

Um fator que demonstra precisamente essa evolução são as infraestruturas da região, como é o caso da estrada principal que travessa a Bessarábia, a partir de Odessa, e que antes era “terrível”, de tal forma que Izmail “parecia o fim do mundo”, descreve a The Economist. "Agora já não é assim", acrescenta a revista, explicando que a estrada foi reabilitada e foi, aliás, inaugurado um serviço de ferry em 2020, que liga a região à Roménia e ao resto da Europa. Os ataques russos não conseguiram colocar estas infraestruturas fora de serviço.

Hanna Shelest, uma analista em Odessa, diz não estar surpreendida com o facto de os russos não terem conseguido gerar um "sentimento anti-Ucrânia" na Bessarábia. A especialista explica à The Economist que a guerra no Donbass, no leste da Ucrânia, destruiu "qualquer fé local" na propaganda do Kremlin sobre "um mundo russo pacífico".

Mas o caminho até aqui não foi fácil. É que, segundo a revista, o governo de Volodymyr Zelensky só começou recentemente a prestar mais atenção à região, o que gerou revolta nalguns setores económicos, como a agricultura. Há dez anos, os agricultores de aldeias como Uktonoviska vendiam os seus produtos à Rússia e, depois da guerra, culparam o governo ucraniano quando se viram impossibilitados de manter o seu negócio. Entretanto, encontraram outros mercados e o ressentimento em relação ao governo ucraniano dissipou-se, escreve a revista.

Apesar de o medo do separatismo já não estar presente no quotidiano da população da Bessarábia, a ameaça da corrupção começa agora a trazer novos problemas. Ivan Rusev, investigador e ativista ambiental, acusa o exército ucraniano de ter selado partes dos parques nacionais da Bessarábia, deixando que os guardas dos parques fiquem sem qualquer poder. No interior das zonas fechadas, diz o investigador, pessoas com ligações ao governo estão a apropriar-se de terras para a agricultura ou a caça.

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