Mariana Mortágua acusa principais bancos de serem “parasitas financeiros" - TVI

Mariana Mortágua acusa principais bancos de serem “parasitas financeiros"

  • Agência Lusa
  • 4 fev, 14:22
Mariana Mortágua: "Nenhuma sociedade alguma vez melhorou com discurso de ódio"

Maioria absoluta do PS e os partidos da direita juntaram-se para proteger os lucros da banca, critica coordenadora do Bloco de Esquerda

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A líder do Bloco de Esquerda acusou este domingo os principais bancos portugueses de serem “parasitas financeiros" que amealham lucros astronómicos à custa das prestações dos créditos à habitação suportadas com muito esforço pelos portugueses.

“A margem de lucro da banca não parou de subir e os principais bancos em Portugal comportam-se como parasitas financeiros, parasitas da sociedade, da riqueza que é produzida, dos salários que custam tanto a ganhar e que estão a ir na sua maioria para pagar créditos à habitação, para depois a banca apresentar lucros astronómicos”, enfatizou Mariana Mortágua, em Coimbra.

Discursando numa sessão de apresentação das principais propostas do programa para as eleições de 10 de março, a coordenadora nacional dos bloquistas sublinhou que os três principais bancos portugueses vão registar um lucro de 2.000 milhões de euros em 2023.

Mariana Mortágua acusou a maioria absoluta do PS e os partidos da direita de se terem juntado para proteger os lucros da banca, “o que é um retrato da economia portuguesa e dos seus problemas”, perante propostas do BE para baixar os juros dos créditos à habitação e taxar os seus lucros.

Bancos têm dedo na crise na habitação, fator da crise social

Num discurso de quase 25 minutos, a dirigente bloquista apontou a habitação como um dos fatores de crise social e uma das razões de empobrecimento, com “salários que encolhem muito porque o preço da habitação disparou e o salário de 800 ou 1.000 euros que há cinco ou 10 anos pagava uma casa agora não paga”.

“Lisboa é a cidade mais cara da Europa para arrendar uma casa e Coimbra tornou-se impossível para estudantes que querem alugar um quarto”, frisou a líder do BE, salientando que Portugal é o terceiro país do mundo “onde a diferença entre o preço da casa e salários faz com que as casas sejam as mais caras”.

Segundo Mariana Mortágua, esta crise da habitação “não é fruto do acaso” e não se resolve com benefícios fiscais ao imobiliário, nem entregando a habitação a empreiteiros e promotores imobiliários.

Referindo que são precisas respostas na atualidade para responder ao problema da habitação, a coordenadora do BE sublinhou que é necessário baixar o preço das casas, através de medidas como reduzir os juros dos créditos à habitação.

“A Caixa Geral de Depósitos acabou de apresentar 1.000 milhões de euros de lucro, tem uma margem que lhe permite baixar os juros do crédito à habitação em um, dois, três pontos percentuais e ao fazê-lo vai arrastar todo o mercado e é isso que devemos exigir ao banco público”, defendeu.

Entre as várias medidas, Mariana Mortágua defendeu novamente a taxação dos lucros excessivos da banca e que isso “sirva para políticas de habitação e reabilitação de património público e construção de novas habitações onde é necessário”.

Limitar as rendas especulativas, proibir a venda de casas a não residentes em Portugal e limitar os alojamentos locais e adotar uma moratória para a construção de novas unidades hoteleiras são outras das propostas do programa eleitoral do BE para as próximas eleições legislativas de 10 de março.

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