A Câmara Municipal do Porto garantiu, esta terça-feira, estar «atenta e disponível» para ajudar a encontrar solução para os atletas do Boavista se o clube tive de encerrar portas, garantindo que está a «trabalhar com o clube para garantir que nenhum jovem e nenhuma criança deixem de praticar desporto, preferencialmente através» do emblema axadrezado.
Na reunião do executivo da Câmara Municipal do Porto, que decorreu à porta fechada, esta terça-feira, o presidente da Câmara, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), referiu ainda que, «quando isso não for possível», serão encontradas «soluções, nomeadamente com outros clubes da cidade ou outros espaços na cidade para esses mesmos jovens.»
As várias forças políticas chegaram a um consenso na reunião e decidiram redigir uma moção conjunta que agrega aquilo que foram as duas recomendações apresentadas pelos vereadores da oposição - PS e Chega - pela salvaguarda da continuidade do Boavista FC e da prática desportiva dos atletas e da zona desportiva do Bessa. «É uma matéria que preocupa toda a cidade e acho que isso ficou bem expresso no executivo, porque houve uma opinião consensual e podemos construir uma proposta subscrita por todos», disse, aos jornalistas, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL).
A moção recomenda à administradora de insolvência «que tenha consciência do impacto social das decisões que está a tomar», explicou Pedro Duarte, garantindo que a autarquia não se quer sobrepor aos sócios do clube e que têm que ser estes a «encontrar um plano e uma estratégia para garantir a sustentabilidade futura»
Entre as várias deliberações inscritas no documento está o desenvolvimento de um programa extraordinário para assegurar que os atletas afetados continuem com prática desportiva, além de apoio logístico em soluções para garantir a continuidade das modalidades. O autarca, que partilhou ainda que há clubes da cidade que têm demonstrado disponibilidade para acolher atletas, considerou que a cidade tem mostrado «boa vontade e espírito solidário».
Do lado do Chega, o vereador único Miguel Corte-Real saudou a união das várias forças políticas para salvaguardar o futuro dos atletas. «O Boavista foi uma escola de desporto para muitos jovens, gerou grandes atletas da nossa cidade e teve também um papel importante: o papel social, de formar homens, de dar oportunidades iguais», afirmou.
Pelo PS, Manuel Pizarro destacou as componentes urbanísticas da proposta, que considerou «instrumentos adequados» ao dispor da autarquia para salvaguardar o património do clube, nomeadamente o reafirmar de que será rejeitada qualquer modificação no Plano Diretor Municipal (PDM) e que vai avaliar a possibilidade de classificar a zona desportiva do Bessa como Área de Reabilitação Urbana (ARU). «Conseguimos que a maioria municipal se comprometa com a nossa ideia de que não é possível haver futuro para o Boavista sem o Boavista manter o seu património desportivo», disse.
Na semana passada, a administradora de insolvência anunciou que o Boavista encerraria a atividade até ao fim de julho, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes em junho, numa decisão que incidia em quase 1.500 atletas, de 31 modalidades, e que já tinha estado perto de suceder algumas vezes desde dezembro de 2025. Porém, um movimento de associados, adeptos e encarregados de educação dos atletas conseguiu assegurar a verba necessária para que fosse possível reabrir as instalações do Estádio do Bessa na segunda-feira.