O ainda Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, partiu esta sexta-feira para os Estados Unidos, a dois dias da cerimónia de posse de Lula da Silva como chefe de Estado, durante a qual deveria passar a faixa presidencial ao seu sucessor.

“Estou em voo, volto em breve”, disse Bolsonaro, numa pequena declaração à CNN Brasil.

De acordo com a imprensa local, o avião presidencial, com Jair Bolsonaro, a sua mulher, Michelle, e alguns assessores descolou às 14:02 (17:02 em Lisboa) com destino a Orlando, nos Estados Unidos.

Assim, até à tomada de posse de Lula da Silva, no domingo, o vice-presidente, Hamilton Mourão, assume os comandos do país.

Fuga a momento simbólico

A cerimónia de posse é marcada pelo momento da entrega da faixa presidencial, pelo Presidente cessante ao seu sucessor, um gesto simbólico que tem sido respeitado por todos os presidentes desde que o Brasil recuperou a democracia em 1985, após 21 anos de ditadura.

Nem Bolsonaro nem o Governo deram quaisquer detalhes sobre a viagem, mas, de acordo com fontes da sua comitiva pessoal citadas pela imprensa local, a sua intenção é de passar pelo menos três meses fora do país.

A imprensa local diz que Bolsonaro deverá ficar hospedado num 'resort' em Palm Beach, propriedade do ex-presidente norte-americano, Donald Trump.

Apelo à resistência

Antes de partir, Bolsonaro, numa última transmissão ao vivo nas suas redes sociais, nos seus últimos momentos na residência presidencial oficial - Palácio da Alvorada, em Brasília -, instou os seus seguidores a permanecerem firmes contra Lula da Silva.

"Não vamos acreditar que o mundo acaba a 1 de Janeiro" com a tomada de posse de Lula, declarou Bolsonaro, soluçando, e pediu aos seus apoiantes "que não joguem a toalha ou deixem de se lhe opor", embora pacificamente e dentro do quadro constitucional.

"Não vamos acreditar que o mundo acaba neste 01 de janeiro", disse Bolsonaro, referindo-se à posse de Lula da Silva, numa cerimónia este domingo em Brasília.

"O Brasil não sucumbirá, acreditem em vocês (…) Perde-se a batalha, mas não perderemos a guerra", defendeu o Presidente cessante brasileiro.

"Nada justifica aqui em Brasília essa tentativa de ato terrorista no aeroporto de Brasília. Nada justifica. Um elemento que foi pego, graças a Deus, com ideias que não coadunam com nenhum cidadão. Agora massifica em cima do cara como 'bolsonarista' do tempo todo. É a maneira de a imprensa tratar", acrescentou Bolsonaro, referindo-se a um seguidor que tentou explodir um camião com combustível, mas acabou preso pela polícia.

Numa declaração que durou pouco mais de uma hora, Bolsonaro não reconheceu plenamente a sua derrota nas eleições de outubro passado nem parabenizou Lula da Silva - o que nunca aconteceu até agora -, e insistiu ter sido vítima da justiça eleitoral que, na sua opinião, favoreceu o Presidente eleito com várias decisões.

Bolsonaro reiterou que a sua liberdade e a dos grupos de extrema-direita que o apoiam teriam sido limitadas e que eles foram impedidos de denunciar as falhas que, segundo insiste em afirmar sem apresentar qualquer prova, ocorreram no sistema de votação eletrónica que é usado no Brasil desde 1996.

Sem citar o nome de Lula da Silva, o Presidente brasileiro afirmou que "o novo Governo que vem aí vai criar muitos problemas" e vai "impor ao país uma ideologia desastrosa que não deu certo em nenhum lugar do mundo".

/ WL