A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), instituição que reúne os bispos da Igreja Católica do Brasil, afirmou estar “perplexa com as graves e violentas ocorrências em Brasília”, enquanto igrejas evangélicas permanecem em silêncio.

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), perplexa com as graves e violentas ocorrências em Brasília, pede serenidade, paz e o imediato cessar dos ataques criminosos ao Estado Democrático de Direito”, disse a instituição numa mensagem divulgada nas redes sociais.

“Estes ataques devem ser imediatamente contidos e seus organizadores e participantes responsabilizados com os rigores da lei. Os cidadãos e a democracia precisam de ser protegidos”, acrescentou.

Instituições evangélicas como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a Igreja da Lagoinha e a Assembleia de Deus, referidas como apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, não divulgaram nenhuma nota sobre os ataques perpetrados pelos apoiantes do antigo chefe de Estado a prédios públicos em Brasília.

Já líderes evangélicos do Congresso como o deputado Sóstenes Cavalcante, que lidera a bancada evangélica na Câmara dos Deputados, usou as redes sociais para atacar partidos de esquerda ao mesmo tempo em que disse condenar a invasão dos ‘bolsonaristas’ das sedes do poder executivo, legislativo e judiciário.

“Quem sempre fez manifestações com 'quebra quebra' foi a esquerda!! A imprensa [media] não chamava essas manifestações esquerdistas de atos anti democráticos. Reitero que sou contra a depredação de património público e privado, entretanto, não posso aceitar os dois pesos e duas medidas”, escreveu na rede social Twitter.

Outro evangélico e deputado federal que é apoiante de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia, disse ao jornal Folha de S.Paulo que os atos em Brasília foram uma manifestação do povo e apontou dois pesos e duas medidas para o tratamento dado aos atos de ‘bolsonaristas’ em comparação com movimentos de esquerda.

"Cansei de ver o MST [Movimento dos Sem Terra] invadir prédio público e ficar acampado dois, três dias. A militância do PT [Partido dos Trabalhadores] fazer isso, e ninguém dizer que é ato antidemocrático. Que conversa é essa?" - questionou em declarações ao jornal brasileiro.

“Ou será que nós estamos em que planeta? Em que país nós estamos? Ou será que o povo, a imprensa [media], os políticos têm amnésia? Nunca vi ninguém dizer que era ato democrático", acrescentou sem se referir a destruição do património público sem precedentes ocorrida em Brasília.

Malafaia ainda disse que os atos seriam uma "manifestação do povo. E aí? Usa dois pesos, duas medidas? Quando é a cambada de esquerda, é ato de livre manifestação. Quando são os outros, é ato antidemocrático? Isso é uma vergonha."

Já o deputado e pastor evangélico Marcos Feliciano, também apoiante do ex-presidente brasileiro Bolsonaro, escreveu no Twitter que “a revolta popular que é quando um grupo de pessoas se organizam para protestar, é legítima. Os ânimos acirrados levaram as depredações que não são legítimas. Por causa delas, os manifestantes serão chamados de baderneiros e criminosos. O que vem a seguir será uma repressão sem limites”.

Lula da Silva decretou a intervenção federal em Brasília depois de centenas de apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro terem invadido e vandalizado o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), sedes dos poderes legislativo, executivo e judicial.

Os manifestantes, que furaram as barreiras de proteção da polícia, pedem uma intervenção militar para derrubar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma semana após a sua tomada de posse.

A Polícia Militar conseguiu, entretanto, recuperar o controlo da sede do STF, do Congresso e do Palácio do Planalto, e o chefe de Estado brasileiro prometeu que todos os responsáveis pelas invasões serão punidos.

/ RL