Renato Paiva aborda, pela primeira vez, o despedimento do comando técnico do Botafogo e fala sobre a tentativa de John Textor «interferir» no seu trabalho, durante a curta passagem pelo clube brasileiro.
Em declarações ao globoesporte, o treinador português confessa que a forma como foi despedido do Botafogo foi «muito feia» e recusa que tenha tido como principal motivo a traição dos próprios princípios, algo que o empresário quis fazer passar, de acordo com o próprio.
«Há uma entrevista do senhor que me despediu (John Textor), em que diz que me despede porque traí os meus princípios. Nunca pude responder, nem quis, mas digo que fui despedido exatamente porque não traí os meus princípios. Essa pessoa quis constantemente interferir no meu trabalho e eu não deixei. É este o motivo pelo meu despedimento. Não é o Palmeiras. Não é a derrota no Mundial de Clubes», começa por referir.
«Ele tem todo o direito em despedir-me. A forma como o fez é que foi muito feia. Nós perdemos o jogo com o Palmeiras e vamos para o hotel. Ele fala com o grupo, almoça e despede-se de mim: «Keep going coach» (vamos em frente, treinador). Jamais me esqueço disso. Ele não despede ninguém. Ele manda despedir. Em vez do que disse, ia a uma sala e dizia: «Olha, não gostei do jogo do Palmeiras, não gosto como te vestes, eu sou o dono e vamos acabar o contrato». Tudo isto diz muito mais dele do que sobre mim. Quando eu falo da parte negativa do Botafogo, falo apenas de uma pessoa», acrescenta.
Por outro lado, Renato Paiva desvenda um pouco da sua passagem pelo Bahia, em 2023, que terminou com ameaças à família, sobretudo à filha, na rede social Instagram. Durante os nove meses que permaneceu no cargo, somou apenas 19 vitórias nos 49 jogos que realizou.
«Entraram no Instagram da minha filha, ameaçaram-na houve ali uma ou outra questão no dia a dia de trabalho. O meu preparador físico não estava satisfeito com as interferências no trabalho, existiram alguns incómodos, e acabei por tomar a decisão de sair», confessa.
Renato Paiva deu os primeiros passos enquanto treinador nos escalões de formação do Benfica, tendo chegado à equipa B, antes de rumar ao Independiente del Valle. Pelo meio esteve à frente do Toluca ou do Club León, pelo que o técnico foi convidado a elencar o melhor onze que já treinou: Ederson, João Cancelo, William Pacho, Rúben Dias, Alex Telles, João Félix, Gregore, Bernardo Silva, Paulinho, Gonçalo Ramos e Igor Jesus.