O governo brasileiro decidiu reforçar a segurança em todo o país com base em informações de que apoiantes mais radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro convocaram novas manifestações para esta quarta-feira.

O anúncio foi feito pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, em declarações aos media, depois de tanto a Procuradoria-Geral da União como o Ministério Público solicitarem ao Supremo Tribunal Federal que adote medidas para prevenir possíveis atentados terroristas e atos de violência e vandalismo.

"Determinamos medidas para reforçar a segurança em todo o país devido ao facto de estarem a circular convites para novas manifestações. Por isso, adotamos uma postura de precaução quanto à segurança da Esplanada dos Ministérios [a avenida onde se situam os principais edifícios públicos em Brasília] e em cidades de todo o país", disse Costa.

O reforço foi decidido depois da confirmação de que em grupos de bolsonaristas nas redes sociais há convocações para manifestações às 18:00 locais (21:00 em Lisboa) em Brasília mas também em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

As convocatórias afirmam que se trata de manifestações pela "recuperação do poder", numa alusão ao regresso ao poder de Jair Bolsonaro, 11 dias após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente brasileiro.

Os bolsonaristas mais radicais, que não reconhecem a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de outubro e defendem um golpe o para derrubar, realizaram um violento ataque neste domingo contra as sedes da Presidência da República, Congresso e Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no passado domingo.

Quase 1.500 seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro foram presos por atos de vandalismo, que causaram extensos e graves danos aos três edifícios, depois de a polícia, apesar de uma reação tardia, ter conseguido retirar os manifestantes das sedes dos poderes.

No seu pedido de medidas urgentes ao Supremo Tribunal Federal, a Advocacia-Geral da República (AGU) alega que a chamada "Mega Manifestação Nacional pela Retomada do Poder" convocada pelos radicais constitui uma "nova tentativa de ameaça ao Estado democrático de Direito".

O órgão do governo insta o Supremo Tribunal Federal a determinar que as forças de segurança pública federais e das administrações regionais adotem as medidas imediatas necessárias para prevenir invasões e bloqueios de estradas.

A AGU afirma que o Estado tem de ser salvaguardado e protegido, para o que é necessário "evitar tanto o abuso do direito de reunião, utilizado como ilegal e inconstitucional por verdadeiros atos que atentam contra a democracia”.

O órgão solicitou ainda a restrição pontual e momentânea do direito de manifestação e a aplicação de multas a pessoas físicas e jurídicas que ofereçam apoio logístico e financeiro aos protestos convocados.

A AGU também pediu que o STF ordene a prisão em flagrante de todos aqueles que desobedecerem à sua decisão e que autorize o bloqueio dos grupos nas redes sociais usados para convocar as manifestações.

/ AG