Facas, máscaras, livros de criminologia: o "património" do suspeito de matar à facada 4 jovens (incluindo a lusodescendente Kaylee Gonçalves) - TVI

Facas, máscaras, livros de criminologia: o "património" do suspeito de matar à facada 4 jovens (incluindo a lusodescendente Kaylee Gonçalves)

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  • Jean Casarez Lauren del Valle
  • 3 mar 2023, 14:00
Bryan Kohberger

EUA. Bryan Kohberger, o homem de 28 anos suspeito de matar quatro jovens num crime horrendo, enfrenta quatro acusações de homicídio. O caso chocou os norte-americanos. E tem uma influencer lusodescedente entre as vítimas.

Documentos do tribunal relacionados com a investigação e detenção do suspeito de esfaquear fatalmente quatro estudantes da Universidade de Idaho, nos Estados Unidos, no ano passado, mostram que foi apreendida uma quantidade de artigos em casa dos pais de Bryan Kohberger na Pensilvânia, onde ele foi detido.

Os investigadores levaram artigos que incluíam facas, um telemóvel, luvas pretas, máscaras pretas, computadores portáteis, roupas e sapatos escuros, botas castanhas e sapatos New Balance, mostra um registo de provas divulgado esta quinta-feira. As facas incluíam um navalha de bolso Smith and Wesson e uma faca numa bainha de couro.

Foram também apreendidos livros de criminologia - incluindo um intitulado “psicologia criminal” - e cadernos de notas, juntamente com uma caixa de vácuo e documentos de identificação, registos médicos, uma fatura da AT&T e documentos relacionados com a escola, mostra o documento de registo.

As revelações são feitas depois de documentos não selados do tribunal mostrarem que foi executado um mandado de busca em casa à 1:25 da manhã do dia 30 de dezembro, após quatro dias de vigilância policial, mostram os documentos.

Quatro luvas “estilo médico”, uma lanterna prateada, uma camisola preta, meias pretas e um par de sapatilhas Nike tamanho 47 estavam entre os artigos levados pela Polícia Estadual da Pensilvânia e pelo FBI.

Foi também apreendido em casa dos pais de Kohberger um Hyundai Elantra branco de 2015 que ele tinha usado para conduzir, acompanhado pelo seu pai, até à casa dos seus pais para as férias, mostram os documentos divulgados na quinta-feira. O mesmo tipo de veículo foi visto em câmaras de vigilância perto da casa de Moscovo, Idaho, onde os estudantes foram encontrados mortos.

Os investigadores desmontaram o veículo, recolhendo peças, fibras e esfregaços para exame posterior, mostra a documentação do mandado de busca.

Bryan Kohberger à chegada do tribunal. Foto CNN

Durante a busca, realizada pouco depois das 4 da manhã de 30 de dezembro, as autoridades apreenderam os pedais de travão e acelerador, tapetes de chão, bancos e almofadas de assento, encostos de cabeça, uma viseira e cinto de segurança. E levaram artigos deixados no carro, incluindo documentos, recibos, luvas e botas para caminhadas.

Kohberger, de 28 anos, enfrenta quatro acusações de homicídio em primeiro grau pelas facadas fatais em Kaylee Goncalves, 21; Madison Mogen, 21; Xana Kernodle, 20; e Ethan Chapin, 20. A descoberta da cena sangrenta do crime a 13 de novembro abalou a sensação de segurança na pequena cidade universitária e deixou em ansiedade os estudantes e residentes, à medida que se seguia a busca de um suspeito.

Kohberger ainda não entrou em alegações e está detido sem fiança na prisão do Condado de Latah, no Idaho, na sequência da sua detenção em dezembro na casa dos seus pais. Uma ordem judicial proíbe a acusação e a defesa de fazerem comentários para lá da referência aos registos públicos do caso.

Está agendada uma audiência preliminar de causa provável para 26 de junho.

A busca de dezembro e a prisão de Kohberger ocorreram quase sete semanas após os assassinatos em Idaho. Ele tinha acabado de terminar o seu primeiro semestre como estudante de doutoramento no programa de justiça criminal na Universidade do Estado de Washington em Pullman, cerca de 15 minutos de carro a oeste da cena do crime de Moscovo.

Automóvel branco apontou para Kohberger

Bryan Kohberger em tribunal

As autoridades começaram a concentrar a sua investigação em Kohberger depois de ter sido determinado que ele era o proprietário de um Hyundai Elantra branco semelhante a um visto em câmaras de vigilância perto da cena do crime, de acordo com uma declaração de causa provável emitida em janeiro.

Quando os investigadores procuraram as informações sobre a sua carta de condução, viram que elas consistentes com a descrição de um homem vestido de preto, que foi fornecida por um colega de quarto sobrevivente das vítimas, diz a declaração juramentada, observando especificamente a sua altura, peso e descrição das sobrancelhas.

A testemunha descreveu o homem como tendo cerca de 1,80 m ou mais e não muito musculado, mas de porte atlético e sobrancelhas espessas, segundo os documentos.

Kohberger obteve uma nova matrícula para o seu carro cinco dias após os assassinatos.

Outras provas enumeradas na declaração juramentada incluíam registos telefónicos mostrando que o telefone de Kohberger tinha estado perto da casa das vítimas pelo menos uma dúzia de vezes desde junho. Os registos também mostram o telefone perto do local dos homicídios horas mais tarde, entre as 9:12 e as 9:21 da manhã, diz o documento.

Além disso, o lixo recuperado da casa da família de Kohberger revelou um perfil de ADN ligado ao ADN de uma bainha de couro encontrada junto à cama de uma das vítimas, disse a declaração juramentada. Acredita-se que o ADN recuperado do lixo seja o do pai biológico da pessoa cujo ADN foi encontrado na bainha.

Crime horrendo

Kaylee Gonçalves (segunda a contar da esquerda, em baixo) e Madison Mogen (segunda a contar da esquerda, em cima), Ethan Chapin (ao centro) e Xana Kernodle (segunda a contar da direita). Foto da conta de Instagram  de Kaylee Gonçalves @kayleegoncalves

Foi às primeiras horas de 13 de novembro que a autoridades da pequena cidade de Moscovo, no estado Idaho, foram chamadas a um cenário macabro: quatro estudantes universitários – três raparigas e um rapaz – tinham sido encontrados mortos, com múltiplos ferimentos de arma branca, na casa onde viviam, nos arredores do campus da Universidade de Idaho. Aparentemente, nenhum deles teria qualquer ligação ao alegado homicida, Bryan Kohberger, de 28 anos, que foi detido semanas depois, a 30 de dezembro, acusado de quatro homicídios qualificados.

Kaylee Gonçalves e Madison Mogen, ambas com 21 anos, foram encontradas na mesma cama, no segundo andar da moradia de três pisos. Eram amigas desde o sexto ano. Xana Kernodle e o namorado, Ethan Chapin, ambos de 20 anos, estavam mortos no quarto, no andar de baixo.

Outros dois jovens terão permanecido na casa, durante e depois do crime: Bethany Funke e Dylan Mortensen sobreviveram ao ataque. Dylan Mortensen ter-se-á mesmo cruzado com o alegado homicida, que estaria de cara tapada, quando este abandonava a casa. Mortensen demorou várias horas a chamar as autoridades.

Kaylee Gonçalves [identificada nos Estados Unidos sem a cedilha], uma influencer com milhares de seguidores nas redes sociais, nascera nos Estados Unidos e tinha raízes portuguesas. A sua família veio a público revelar que Kaylee Gonçalves ter-se-á queixado a familiares que estaria a ser perseguida por um homem. A polícia procura também esclarecer se seria verdade e se haveria alguma ligação entre o crime e essa alegada perseguição. Shanon Gray, a advogada da família de Kaylee Gonçalves, assegura à imprensa norte-americana que “ninguém conhecia este indivíduo”.

 

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