O buraco na camada de ozono, que já foi considerado um dos maiores perigos ambientais para a humanidade, pode ser totalmente recuperado na maior parte do mundo dentro de 20 anos, concluiu a mais recente avaliação das Nações Unidas (ONU). Isto, claro, se governos eliminarem gradualmente as substâncias que destroem a camada de ozono.

A perda da camada de ozono - que se aloja na superfície da Terra e tem como principal função assegurar a vida no planeta, uma vez que absorve parte da radiação solar - pode ser restituída até 2040, exceto nas regiões polares. De acordo com o relatório, realizado a cada quatro anos, as previsões apontam para uma total recuperação em 2045 no Ártico e 2066 na Antártida. 

Camada de ozono na zona da Antártida em setembro de 2000 e em setembro de 2018 (NASA via AP)

Após os alertas sobre a perda da camada de ozono na década de 80, esta tem vindo a melhorar na sequência do Protocolo de Montreal, um acordo internacional que ajudou a eliminar 99% dos produtos químicos - como os clorofluorcarbonetos (CFCs) e os hidrofluorocarbonetos (HFC) - que a estavam a destruir. 

"O nosso sucesso na eliminação gradual destes produtos químicos que devoram o ozono mostra-nos o que pode e deve ser feito com carácter de urgência para abandonarmos os combustíveis fósseis, reduzirmos os gases com efeito de estufa e, assim, limitar o aumento da temperatura [do planeta]", explicou Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma das agências das Nações Unidas.

A resposta global e unificada para lidar com os CFCs significaria que o acordo de Montreal poderia ser considerado "o tratado ambiental mais bem-sucedido da história e incentiva outros países do mundo que se possam juntar e em conjunto decidir e agir sobre isso", acrescentou David Fahey, cientista da National Oceanic and Atmospheric Administration e um dos principais autores deste relatório. 

O especialista explicou ainda que mesmo com uma rápida ação global sobre os CFCs estes ainda permanecem na atmosfera durante pelo menos um século. "É preciso esperar que a natureza faça o seu trabalho", disse.

CNN Portugal / CE