Incêndios no Canadá emitiram o equivalente a 1.000 milhões de toneladas de CO2 - TVI

Incêndios no Canadá emitiram o equivalente a 1.000 milhões de toneladas de CO2

  • Agência Lusa
  • PP
  • 12 ago 2023, 08:31
Fumo em Nova Iorque devido aos incêndios no Canadá (AP)

O valor é quase igual às emissões anuais do Japão (1.120 milhões de toneladas de CO2 em 2021), o quinto maior poluidor do mundo

Os milhares de incêndios florestais que atingiram o Canadá este ano emitiram o equivalente a mais de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), um registo sem precedentes, divulgaram esta sexta-feira as autoridades canadianas.

O valor é quase igual às emissões anuais do Japão (1.120 milhões de toneladas de CO2 em 2021), o quinto maior poluidor do mundo, e mais do que as emissões anuais de todo o setor de aviação global em 2022 (quase 800 milhões de toneladas de CO2).

“Este verão transformou-se numa verdadeira maratona”, frisou Michael Norton, diretor-geral do Serviço Florestal canadiano, numa altura em que o oeste do país se prepara para mais um episódio de onda de calor.

“As nossas estimativas preliminares indicam que as emissões da atual temporada ultrapassaram o equivalente a 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono”, apontou.

Michael Norton alertou ainda que o risco de incêndio deverá estar "acima do normal" até setembro.

No final de julho, as emissões de carbono causadas por incêndios no Canadá já eram mais do que o dobro do registo máximo anual anterior, de 2014, segundo dados do observatório europeu Copernicus.

Os ‘megaincêndios’ registados este ano espalharam-se pelo país com grande intensidade, quebrando recordes em muitas províncias.

Esta sexta-feira, o Canadá estava em alerta máximo de incêndio há exatamente 90 dias, o mais longo já registado, depois dos 50 dias em 2021.

“A temporada de incêndios florestais deste ano foi muito instrutiva, mostrou-nos o que nos espera se não fizermos nada para reduzir as emissões”, destacou esta sexta-feira o ministro dos Recursos Naturais, Jonathan Wilkinson, durante uma conferência de imprensa em Vancouver.

O governante apontou o aquecimento global como a "causa principal" dos ‘megaincêndios’, que resultaram em quatro mortes.

Os fogos queimaram até agora 13,5 milhões de hectares, o equivalente à área da Grécia, quase o dobro da área do último recorde absoluto, datado de 1989 com 7,3 milhões de hectares, segundo o Canadian Interagency Forest Fire Centre (CIFFC ).

Desde maio, o Canadá recebeu a ajuda de cerca de 5.000 bombeiros de 12 países, incluindo de Portugal, em junho.

Mais de 200 ordens de evacuação foram emitidas, forçando cerca de 168.000 canadianos a deixar temporariamente as suas casas.

A Colúmbia Britânica, a província mais atingida este mês, deve registar temperaturas anormalmente altas este fim de semana e na próxima semana, o que irá agravar a seca.

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