A candidata à liderança da Iniciativa Liberal (IL), Carla Castro, quer um partido sem "barões e caciques" e promete uma "liderança de proximidade".

"Entrámos na política portuguesa com a irreverência própria de quem não se incomoda. Não precisámos de dizer que éramos diferentes: numa mão tínhamos um saco de perguntas e na outra um saco de respostas", declarou a deputada e membro da atual comissão executiva dos liberais, referindo-se à história e ao crescimento do partido.

Num discurso fortemente aplaudido no Centro de Congressos, em Lisboa, Carla Castro salientou a importância da "união" do partido ao mesmo tempo que se permite que os membros sejam "livres" de decidir o futuro dos liberais.

A candidata à sucessão dos liberais rejeitou uma força política de “barões e caciques” e pediu uma IL “unida dentro para vencer fora”.

“É a todos, liberais, a pessoas livres, juntos aqui num partido sem barões e sem caciques que me dirijo hoje”, afirmou. 

Para os defensores da “continuidade em toda a linha”, Carla Castro alertou que "caminhar já não basta", que o governo socialista "está em decomposição" e que a IL tem de "dar corda aos sapatos".

A nível interno, Carla Castro vincou a necessidade de o partido ter “uma transparência implacável” e uma “democracia e liberalismo à prova de bala”.

“Os nossos órgãos internos têm que ser fortes e independentes, desde a comissão executiva, aos conselhos de jurisdição, fiscalização e nacional e depois apontamos à conquista do país. Desengane-se quem ache que é tarefa fácil mas nós também não viemos cá por ser fácil”, garantiu. 

A deputada apelou a uma descentralização do partido e atirou: “Descentralizar não é passear pelo país, é dar poder, é dar poder de tomada de decisão. E qualquer um dos nossos membros dará um melhor autarca do que um ‘boy’ ou uma ‘girl’ do PS ou do PSD”. 

A 'número um' da lista 'M' à Comissão Executiva do partido, quer uma IL "ambiciosa também consigo própria, em que cada opinião é fundamentada" e que rejeita "a tirania de que os políticos são todos iguais". 

"Sim, votem em nós, por acreditar que é com esta lista que a presidente serve o partido e não é o partido a servir a presidente. Pela capacidade de unir dentro e vencer fora", apelou aos membros presentes na sala.

Já quanto a outros partidos, nomeadamente à direita, Carla Castro vê um PSD “sem caixa de ressonância do país real”.

“E quem simplesmente espera que o poder lhes caia nos pés mais depressa leva com os pés do que chega ao poder”, avisou. 

Já quanto à “direita populista”, a dirigente classificou o Chega como um partido “insuflado e errático”, negando que a IL seja populista. 

“Somos mais do que oposição, nós somos alternativa, nós somos um partido de Governo”, garantiu.

Beatriz Céu / com LUSA