Quase um ano depois do trágico descarrilamento do Elevador da Glória, a Carris, responsável pela operação do ascensor, ainda não instaurou qualquer processo disciplinar relacionado com o acidente, segundo o jornal Público.
A empresa, detida a 100% pela Câmara de Lisboa, admite, no entanto, avançar com medidas deste tipo após serem concluídas as investigações e apuradas eventuais responsabilidades.
A Carris justifica a decisão com o facto de ainda estarem em curso as investigações destinadas a determinar as causas do acidente. A empresa afirma que qualquer avaliação de responsabilidades deverá ter por base as conclusões desses processos e garante que, caso sejam identificadas responsabilidades, irá adoptar as medidas adequadas previstas na lei. Em Outubro passado, a Carris exonerou o diretor de Manutenção do Modo Eléctrico, afastando-o do cargo dirigente.
Segundo o mesmo jornal, o acidente está a ser analisado através de três investigações: uma conduzida pelo Ministério Público, para apurar eventuais responsabilidades criminais; outra pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), centrada na prevenção de futuros acidentes; e uma investigação interna da própria Carris, conduzida pela Comissão de Inquérito de Acidente Grave, uma estrutura técnica destinada a apurar as circunstâncias do acidente e propor medidas preventivas.