Casa Pia nega ter violado sanções em transferência de jogador para a Rússia - TVI

Casa Pia nega ter violado sanções em transferência de jogador para a Rússia

Felippe Cardoso (Casa Pia)

Ministério Público acusou Casa Pia de esconder origem de dinheiro russo no negócio de Felippe Cardoso

O Casa Pia garantiu, na tarde desta sexta-feira, que a transferência do futebolista Felippe Cardoso para o FC Akhmat, da Rússia, foi feita «de forma transparente, lícita e em estrito cumprimento da lei».

Segundo noticiou esta sexta-feira o jornal Público, o clube que disputa a Liga portuguesa foi acusado de violar diretamente as sanções da União Europeia aos russos após a invasão a território ucraniano. O Ministério Público (MP) aponta que o Casa Pia escondeu, do Montepio, a origem de 1,02 milhões de euros do FC Akhmat, clube que é detido por Ramzan Kadyrov (aliado do presidente russo Vladimir Putin), presidente da República da Tchetchénia que detém o clube situado naquela região russa.

O interesse em Felippe Cardoso tornou-se concreto em julho de 2024 e transferência ficou acordada por um valor de 1,5 milhões de euros, sendo paga em duas prestações: a primeira seria de um milhão de euros e a segunda pelo valor em falta. Noticia o Público que, em agosto do mesmo ano, o Casa Pia foi informado de que o pagamento seria efetuado por uma empresa, a Limited Liability Company Sila Marketing (sediada nos Emirados Árabes Unidos), e não pelo FC Akhmat.

Segundo a acusação do MP, tanto o Casa Pia como o diretor-executivo do clube, Tiago Lopes, estavam conscientes das irregularidades, estando o dirigente e o Casa Pia acusados de três crimes: um de violação de medidas restritivas, um de branqueamento e um de falsificação ou contrafação de documento.

Em resposta ao mesmo jornal, o Casa Pia rejeitou «de forma categórica as acusações que lhe foram imputadas» e deu mais explicações no comunicado.

«O pagamento da transferência foi, tal como nas demais transferências envolvendo clubes de países Europeus, efetuado através de uma empresa terceira devido às restrições impostas ao sistema financeiro russo, que impedem transferências bancárias diretas para instituições financeiras europeias. Esta solução não teve como objetivo contornar sanções determinadas pela União Europeia, nem ocultar o negócio. Pelo contrário: foi uma opção adotada para permitir a execução de um contrato lícito num contexto em que os bancos russos se encontram, em larga medida, excluídos dos sistemas internacionais de pagamento», referem os gansos.

Acrescentam que «a possibilidade de pagamento por entidade terceira, sugerida pelo clube russo, foi expressamente prevista em adenda contratual, elaborada e validada pelo departamento jurídico do Casa Pia, com apoio de assessoria externa especializada» e que «todos os documentos refletem operações reais, valores reais e destinatários identificados, não existindo qualquer simulação ou falsificação».

«O FC Akhmat não é uma entidade sancionada pela União Europeia, nem existem, na perspetiva do Casa Pia, indícios de que se encontre controlado por qualquer pessoa abrangida por medidas restritivas europeias», continuam os lisboetas, dizendo mesmo desconhecer a ligação que o MP faz entre o FC Akhmat e Kadyrov e que este «não consta de qualquer documentação societária oficial do FC Akhmat como proprietário, beneficiário efetivo ou titular de poderes de controlo» nem «exerce nem exerceu funções de gestão efetiva do clube, inexistindo qualquer elemento de prova que permita imputar-lhe o domínio societário ou direção operacional daquela entidade».
 

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