O Ministério Público acusou nove arguidos, um dos quais pessoa coletiva, pela prática dos crimes de associação criminosa, furto qualificado, recetação, branqueamento, detenção de arma proibida e fraude fiscal, no âmbito de uma investigação conduzida pelo DIAP Regional de Évora e pela PSP. Em causa está a atividade de um grupo que se dedicou, durante cerca de oito anos, a assaltos a ourivesarias em várias zonas do país.
Segundo o comunicado do DIAP, trata‑se de “um grupo altamente organizado que se dedicou durante cerca de oito anos consecutivos a furtos a ourivesarias, localizadas de norte a sul do país”, obtendo uma vantagem patrimonial de, pelo menos, 879 mil euros. O MP sublinha que o grupo “funcionava de forma estruturada, com distribuição de funções entre os arguidos integrantes”, atuando de forma planeada e reiterada.
A CNN Portugal sabe que o grupo era liderado por um casal de namorados, ambos entre os arguidos que se encontram em prisão preventiva desde outubro de 2025. A investigação apurou ainda que a associação criminosa integrava vários familiares, existindo relações de pai e filho e de mãe e filha entre alguns dos arguidos, o que terá contribuído para a coesão interna do grupo e para a confiança na execução dos assaltos.
Os suspeitos estarão ligados a assaltos a ourivesarias em vários pontos do país, incluindo Beja, Évora, Braga, Portimão e Almada. No ano passado, alguns elementos do grupo foram intercetados pela PSP na Ponte 25 de Abril, após um assalto a uma ourivesaria na Charneca da Caparica.
De acordo com o comunicado agora divulgado, o modus operandi passava por “um estudo prévio muito cuidado às ourivesarias escolhidas”, recorrendo, em alguns casos, a drones para filmar a zona envolvente e identificar rotinas de proprietários e funcionários. A entrada era feita “através do arrombamento de paredes ou tetos”, evitando os sistemas de videovigilância, sendo depois utilizados maçaricos de acetileno e oxigénio comprimido para abrir cofres‑fortes.
As peças furtadas, ouro, prata e relógios, eram posteriormente escoadas para fundição através de arguidos ligados ao setor da ourivesaria, refere ainda o MP. No decorrer da investigação foram apreendidos dinheiro, veículos e artigos de joalharia, no valor de mais de 82 mil euros, tendo sido requerido o arresto de bens e a perda a favor do Estado de valores que ultrapassam os 790 mil euros.
A CNN Portugal apurou que um dos elementos decisivos da investigação foi a recolha de ADN deixado pelos suspeitos em vários locais de crime, o que permitiu às autoridades relacionar este grupo com assaltos praticados desde 2017 e consolidar a prova obtida ao longo dos últimos anos.
Atualmente, quatro arguidos estão sujeitos a medidas de coação privativas da liberdade, dois em prisão preventiva e dois em prisão domiciliária com vigilância eletrónica. Os restantes ficaram obrigados a apresentações periódicas às autoridades e proibidos de contactos entre si e com as vítimas.